AMAZÔNIA LEGAL: UMA ANÁLISE SOBRE A TERRITORIALIZAÇÃO DO CAPITAL TRANSNACIONAL NA INDÚSTRIA MINERAL NA DÉCADA DE 2010-2020
DOI:
https://doi.org/10.20873/vol13n3pibic202525Resumo
Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa de Iniciação Científica, desenvolvida com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT), que analisou a demanda internacional por hard commodities minerais originadas da Amazônia Legal entre 2010 e 2020, à luz da Teoria Marxista da Dependência. O estudo investigou a territorialização do capital transnacional na região, caracterizada pelo modelo neoextrativista contemporâneo. Foram identificadas onze empresas transnacionais de mineração, com capitais provenientes do Canadá, Peru, Inglaterra, Suíça, Noruega, Estados Unidos e Austrália, bem como a transnacionalização de empresas originalmente brasileiras. A análise considerou também as infraestruturas estratégicas, como minas, portos, ferrovias, minerodutos e hidrovias e o papel da Mineração 4.0. Os principais minérios produzidos no período foram bauxita, calcário, caulim, cobre, estanho, ferro, manganês, níquel e tântalo, exportados majoritariamente para países centrais como China, Estados Unidos e Canadá. Os resultados reforçam que a Amazônia Legal se insere na Divisão Internacional do Trabalho como provedora de matérias-primas, evidenciando sua relevância geopolítica e estratégica para o capital transnacional.
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