APAGAMENTO DAS SUBJETIVIDADES DAS MULHERES E DAS PESSOAS TRANSMASCULINAS NO SISTEMA PRISIONAL:

AUSÊNCIA DE ACESSO À ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E À DIGNIDADE MENSTRUAL

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21873/vol13n4202611

Resumo

O Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de um estado de coisas inconstitucional no sistema penitenciário brasileiro no julgamento da ADPF n. 347. Dentre as violações generalizadas de direitos fundamentais enfrentadas pelas pessoas privadas de liberdade, este artigo concentra-se na negligência à atenção primária à saúde e na ausência de garantia da dignidade menstrual para mulheres e pessoas transmasculinas. O Direito, construído a partir do paradigma moderno, europeu e ocidental, constituiu como sujeito epistêmico e de direitos o homem branco, heterossexual, cisgênero e cristão. Assim, subjetividades que se distanciam desse padrão são excluídas da proteção jurídica. O sistema penitenciário também reproduz a lógica da sociedade como um todo, refletindo os valores da comunidade moral que o instituiu. Partindo dessas premissas e com base na teoria queer — que questiona os mecanismos de normalização e propõe uma valorização da diversidade, rompendo com a binariedade de gênero enquanto dispositivo de controle dos corpos e de estruturação da disciplina social por meio de normas jurídicas —, este artigo busca analisar o apagamento das subjetividades de mulheres e pessoas transmasculinas no sistema prisional, através de um recorte interseccional, diante dos marcadores de discriminação que atravessam essas experiências, e da análise dos dados da ADPF n.347.

Biografia do Autor

Elisa de Castro Ibraim, Universidade Federal de Ouro Preto

Graduada em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Pós-graduada em Direito Constitucional pela Faculdade Arnaldo. Mestranda em Direito pelo Programa de Pós-Graduação Novos Direitos, Novos Sujeitos, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Fatoumata Sow, Universidade Federal de Ouro Preto

Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, mestranda em Direito pelo Programa de Pós-Graduação Novos Direitos, Novos Sujeitos da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

Alexandre Gustavo Melo Franco Bahia, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutor em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professor do Departamento de Direito Público da UFMG e do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Bolsista de Produtividade do CNPq.

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Publicado

2026-07-27

Como Citar

de Castro Ibraim, E., Sow, F., & Gustavo Melo Franco Bahia, A. (2026). APAGAMENTO DAS SUBJETIVIDADES DAS MULHERES E DAS PESSOAS TRANSMASCULINAS NO SISTEMA PRISIONAL:: AUSÊNCIA DE ACESSO À ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E À DIGNIDADE MENSTRUAL. DESAFIOS - Revista Interdisciplinar Da Universidade Federal Do Tocantins, 13(4), 184–203. https://doi.org/10.21873/vol13n4202611