A INFLUÊNCIA DAS CULTURAS AFRICANA E INDÍGENA NA MUSICALIDADE E CONSTRUÇÃO SOCIOCULTURAL DO HEAVY METAL BRASILEIRO
DOI:
https://doi.org/10.21873/vol13n4202631Resumo
Amalgamado a partir de influências do blues, da música clássica erudita e, notadamente, do rock and roll o heavy metal surge no início da década de 1970 e, via de regra, desde sempre foi considerado um estilo musical subversivo e tipicamente distante dos interesses das elites estadunidense e britânicas, para localizar geograficamente sua origem. Muito disso reside no fato de que algumas das bandas deste estilo musico-cultural absorveram a aura do movimento punk rock iniciado por volta de 1975 e passaram a adotar, claramente, uma postura contestadora e provocativa. Destarte, o heavy metal tornara-se um movimento de contracultura em nítida oposição à ideologia de paz e amor cultuada pelos hippies, culminando na estética violenta e inóspita proveniente do enfrentamento da realidade socioeconômica. No caso do Brasil, o heavy metal chega com atraso de quase 10 anos, e também sob o viés de contestação do establishment; de fato, tal como no exterior, foi severamente criticado e mesmo perseguido pela mídia corporativa. Neste contexto, o objetivo central do presente trabalho, de caráter exploratório e cuja metodologia baseou-se em revisão bibliográfica sistêmica, é caracterizar e analisar, sinergicamente, como se deu a incorporação e o resgate de elementos culturais tipicamente brasileiros de origem indígena e africana no processo de composição do heavy metal nacional. Ademais, analisa-se, também, temas transversais correlatos como: religião, folclore, literatura e fatos históricos que remontam à multiplicidade cultural que estruturou e que estrutura a formação músico-cultural do povo brasileiro. A realização do presente trabalho permitiu concluir que elementos culturais tipicamente brasileiros de origem indígena e africana, efetivamente foram incorporados aos processos de composição do heavy metal nacional, de modo que houve algo como uma antropofagia musical diante das influências originadas a partir dos Estados Unidos e do Reino Unido. Outrossim, conclusivamente, foi possível depreender que isto viabilizou a eclosão de um movimento cultural não mais estrangeiro, mas sim vanguardista, brasileiro e naturalmente contestador do modus vivendi inerente ao status quo propalado pela elite burguesa nacional.
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