Edições anteriores

  • Classes, identidades e territórios: questões e debates.
    v. 1 n. 1 (2021)

    O número de estreia da revista Antígona traz a temática “Classes, identidades e territórios: questões e debates". As ciências humanas elaboram há séculos os horizontes comuns que nos irmanam e também constatam as diferenças que nos dividem e, tantas vezes, nos opõem, acarretando em violências de diversas ordens.
    Classes e identidades são conceitos pertencentes muitas a tradições teóricas e que cada vez mais tem sido utilizados de maneira composta, visando a compreensão da complexidade dos problemas postos pelo capitalismo. Pois, se o projeto de sociedade liberal, apregoado a partir das Revoluções Burguesas dos séculos XVII e XVIII, apontou para um mundo onde a condição de nascimento não deveria ser um determinante para os indivíduos, as diferenças sociais justificar-se-iam pelo esforço pessoal. Ainda no XIX, os limites e as falácias do sonho liberal ficaram expostos: a liberdade não trouxe igualdade, não havia mais o determinante de nobreza, mas a condição de classe era o sustentáculo das desigualdades em alguns lugares, noutros as raças, tornaram-se fator explicativo para a novos empreendimentos coloniais com suas perversas consequências. No século XX assistimos as utopias igualitárias serem transformadas em distopias autoritárias e a emergência de pautas que, até então, não estavam postas no debate público: eram as identidades reivindicando seus espaços. Territórios foram palcos e objetos de disputas entre grupos. Reivindicados por grupos diversos, diferentes concepções de suas utilizações ou mesmo demarcados para excluir, os territórios formam importantes objetos de análise das dinâmicas humanas.
    Agora, em pleno século XXI, as humanidades, trabalhando numa perspectiva cada vez mais transdisciplinar, têm constatado a convergência de todos estes temas nas diversas dimensões da crise que atravessamos. Assim, Antígona abre suas páginas para artigos inéditos que contribuam para refletirmos acerca das dimensões que compõem este caleidoscópio das humanidades.

  • CENTENÁRIO DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (1922-2022)
    v. 2 n. 1 (2022)

    WhatsApp_Image_2021-10-06_at_17.33_.45_2.png O ano de 2022 marca o centenário de fundação do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Serão bem vindos para este dossiê textos sobre os inúmeros temas que estão agregados ao legado e à historicidade institucional do partido. Entre outros temas, destacamos: estudos sobre a história política do partido, especialmente no período 1922-1964; os debates teóricos no partido sobre a formação histórica do Brasil; o PCB e a Aliança Nacional Libertadora (ANL); Luis Carlos Prestes e o PCB; a agenda programático-política dos Congressos do partido; o PCB e a URSS; a cultura política dos intelectuais no partido e a agenda da Revolução Brasileira (décadas de 1950-1960); o PCB e o movimento sindical; o PCB e a reforma agrária no Brasil; o PCB e a imprensa comunista; o PCB e o movimento estudantil nas décadas de 1950 e 1960; as revistas teóricas do PCB (Fundamentos, Estudos Sociais, entre outras); o PCB e o Golpe Militar de 1964; a dissolução da URSS em 1991 e o golpe do Partido Popular Socialista (PPS) em 1992; os debates  historiográficos sobre os percursos institucionais do partido. Enfim, percebemos o Partido Comunista Brasileiro como uma referência fundamental na história da esquerda brasileira e na história política do país, termo esse que nos justifica a organização deste dossiê solicitando a colaboração de trabalhos historiográficos sobre os amplíssimos significados institucionais do universo político e cultural dos comunistas brasileiros no percurso histórico do centenário de fundação do partido.

     

    Prazo para envio dos textos: 31 de março de 2022.

    Publicação do Dossiê: Antígona, n° 03, julho de 2022.

  • História, Imaginário e Falares Amazônicos: A Produção Linguístico-Discursiva e Cultural em Perspectiva Interdisciplinar
    v. 1 n. 01 (2023)

    O presente dossiê tem como objetivo a publicação de artigos com a temática amazônica, tendo como princípio a interdisciplinaridade e o diálogo teórico-metodológico nas ciências humanas e sociais, envolvendo disciplinas cientificas como a História, a Linguística, a Antropologia, bem como os estudos Culturais, do Imaginário e da Narrativa. Esta iniciativa surge de uma posição epistemológica que procura atravessar as fronteiras disciplinares instaurando e integrando modos e conhecimentos científicos que deem conta de uma compreensão mais holística do fenômeno estudado, sem descuidar da sistematicidade do trabalho científico. Além disso, integra o escopo das discussões e pesquisas realizadas no Iandé – Grupo de Pesquisa em Línguas e Culturas Brasileiras, da Universidade de Varsóvia, um espaço de discussão acadêmica internacional. O grupo pesquisa é vinculado à Faculdade de Línguas Modernas da Universidade de Varsóvia e adota uma abordagem interdisciplinar, realizando estudos dedicados, em particular, à produção linguística e cultural dos povos e comunidades amazônicas e afro-brasileiros.
    Gilbert Durand, em sua obra A Imaginação Simbólica (1988) nos chama atenção para uma hermenêutica instauradora, uma postura científica que congrega diferentes perspectivas teóricas acer ca de um determinado fato, resultando numa amplificação e num aprimoramento analítico. Já no que tange a interdisciplinaridade, podemos citar Patrick Charaudeau (2013), quem apresenta um conceito de ‘interdisciplinaridade focalizada’ no fazer científico, como aquele que instaura um estado de espírito no pesquisador nas ciências humanas e sociais que gera tanto o múltiplo pertencimento disciplinar dos fenômenos sociais (interdisciplinaridade) e o rigor de uma disciplina (focalizada).
    Busca-se, portanto, com este dossiê, pensar a História Amazônica, a partir das narrativas emergentes nas mais diferentes fontes, nas suas particularidades linguístico-discursivas e no imaginário compartilhado pelos povos e comunidades tradicionais. Ressalta-se que este imaginário é bidimensional, pois mesmo que a cultura se expresse por arquétipos, imagens e símbolos comuns, compartilhados no decorrer do trajeto antropológico (DURAND, 2012), diferenciam-se por nuances históricas, de acordo com as intimações sociais, políticas e econômicas.

     

    Organizadores:

    Prof. Dr. Alexandre da Silva Borges (Universidade Federal do Tocantins)

    Prof. Ms. Samuel Figueira Cardoso  (University of Warsaw) Pol´ônia

  • Indígenas, camponeses e quilombolas: caminhos para os (des)encontros com novas e outras narrativas
    v. 1 n. 2 (2021)

    Neste número pretendemos discutir questões epistemológicas e dar vozes às narrativas a grupos que apenas há pouco tempo vem sendo abordados como sujeitos históricos. Ao menos até a década de 1970, historiadores tenderam a analisar as relações do pós-contato colonial como o encontro no qual os colonizadores teriam imposto sua cultura, organização social aos “dominados”, sobretudo aos povos originários e aos negros escravizados, que tentavam manter, sem sucesso, o seu modo de viver. Portanto, era a história do choque entre mundos opostos, no qual seria enviesada a crônica da destruição, de submissão à “razão civilizatória”. Por muito tempo estas disciplinas ignoraram a participação dos diversos atores na construção desse processo.

    Desse modo, parecia-lhe ainda muito arraigada na historiografia brasileira a afirmação, de meados do século XIX, de que os índios, quilombolas e camponeses não tinham História. Contudo, a partir  da década de 1980 houve uma reorientação de pressupostos teóricos e metodológicos relacionados à própria luta dos movimentos sociais no Brasil. Tal reorientação provocou reconfigurações decisivas na pesquisa histórica, principalmente com o surgimento de novos problemas e de novas possibilidades de novos arquivos e documentos. Com essas novas abordagens acerca do protagonismo dos “esquecidos da história”, enquanto sujeitos históricos, as temáticas sobre índios, escravizados e escravidão, quilombolas, comunidades camponesas, mulheres, pobres, dentre outras, vem deixando o lugar marginal que ocuparam na historiografia brasileira.

    Nesse sentido, a presente proposta temática desse número da Revista Antígona almeja ser um espaço para publicação de artigos que fomentem o debate sobre perspectivas conceituais, metodológicas e dialógicas que colaborem na compreensão do papel dessas comunidades na História do Brasil, em geral, e na Amazônia, em particular.

  • DOSSIÊ - HUMANIDADES DIGITAIS, CULTURA POP E HISTÓRIA
    v. 2 n. 1 (2022)

    Ao propor estudos sobre os usos das Tecnologias Digitais de Informação Comunicação no âmbito da Pesquisa Histórica, no Ensino de História, na Aprendizagem Histórica,assim como, seus impactos nas relações sociais, algumas questões devem ser colocadas em perspectivas, entre elas: a desigualdade social produtora da dificuldade de acessibilidade à Internet e aos suportes tecnológicos; a precariedade destes recursos encontrados em vários espaços escolares, culturais e sociais; e a falta de domínio metodológico por parte de historiadores e de professores de História. Entendemos que, muitas vezes, essas questões levam à rejeição aos usos das Tecnologias Digitais nos espaços de pesquisa e ensino.

    Apesar dessas questões que, como sabemos, dificultam consideravelmente a inserção das tecnologias digitais, não podemos menosprezar seus impactos no dia a dia das pessoas. As TDIC moldam cada vez mais nossos estilos de vida e comportamentos. Frente à esses apontamentos, o Grupo de Pesquisa CNPq em Mídias, Tecnologias e História (MITECHIS) propõem esse dossiê para convidar pesquisadores que se dedicam as diversas possibilidades dos usos dos recursos da comunicação digital na Pesquisa Histórica e no Ensino de História, pois, segundo as conclusões de Nelson de Luca Pretto, a “formação de um novo ser humano, que viva plenamente esse mundo de comunicação, exige uma nova escola e um novo professor” (PRETTO, 1996, p. 15).

    Este Dossiê, pretende se tornar um espaço para debater os usos de fontes digitalizadas na Pesquisa Histórica, assim como problematizar o Ensino de História/Educação Histórica wm diálogo com as TDIC. Entendemos que o professor/pesquisador pode utilizar os recursos digitais de diferentes formas, pois a sociedade atual não deve prescindir dos inúmeros recursos midiáticos e tecnológicos, porque toda ação e reflexão passa a ser volatilizada e, por isso, atomizada diante do mundo contemporâneo. Em se tratando das Humanidades Digitais (HDs), uma boa definição, entre muitas outras, a qual concordamos, é a de Brett Bobley, diretor do Escritório de Humanidades Digitais da National Endowment for the Humanities (NEH). De acordo com ele, “o termo [HDs] foi cunhado para definir a pesquisa que incorpora a tecnologia computacional a estudos em humanidades, mas também aquela que usa as humanidades para estudar a tecnologia digital e sua influência na sociedade e na cultura” (MARQUES, 2017, p. 19). No que se refere ao fenômeno da Cultura Pop e o acesso às plataformas digitais nos últimos anos será mais uma forma de entrar no diálogo sobre a pesquisa e ensino.

    O presente Dossiê tem o objetivo de aceitar trabalhos que possam ampliar o debate referente às pesquisas dedicadas às diferentes mídias – digitais e analógicas – e suas interfaces históricas; provocar o debate sobre a história social da tecnologia, seus métodos, suas abordagens e suas fontes; problematizar os usos das tecnologias digitais e mídias digitais no processo ensino-aprendizagem de História; discutir sobre o campo das Humanidades Digitais e suas relações com a área de História; levantar questões sobre publicização dos conhecimentos históricos e das fake news nas redes sociais e mídias digitais; e discutir os impactos destas inovações tecnológicas entre as comunidades tradicionais, indígenas e/ou quilombolas. Ao realizar esta proposta, pretendemos ainda abrir a possibilidade de diálogos no âmbito da Pesquisa em História e no Ensino de História, em que os pesquisadores possam expor suas pesquisas concluídas ou em andamento e, assim, contribuir significativamente com o conhecimento científico.