Formação Matemática Docente em Crise Nacional: evidências dos microdados da Prova Nacional Docente 2025, desigualdades estruturais e os eixos de superação que o Brasil precisa construir

Autores

  • José Vinicius do Nascimento Silva UEPB

DOI:

https://doi.org/10.20873/retmat.uft.v1n1.2026.23171

Palavras-chave:

Prova Nacional Docente, Formação de professores de Matemática, Licenciatura em Matemática, Proficiência docente, Teoria de Resposta ao Item, PROFMAT, Políticas educacionais, Desigualdade regional

Resumo

Este artigo apresenta análise dos microdados oficiais da Prova Nacional Docente (PND) 2025 para a Licenciatura em Matemática (CO_GRUPO = 702), utilizando um corpus primário de 72.527 candidatos inscritos e 50.342 presentes com resultado válido (TP_PRES = 555). Por meio de estatísticas descritivas, análise de distribuição de notas, parâmetros da Teoria de Resposta ao Item (TRI) de 77 itens calibrados, questionários de percepção dos candidatos (QPP) e análise de desempenho por Unidade da Federação e macrorregião, o estudo demonstra que a Matemática foi a única área avaliada na PND 2025 em que a maioria dos candidatos não atingiu o nível mínimo de proficiência estabelecido pelo Ministério da Educação, com apenas 45,9% de proficientes, contra 80,2% em Ciências Humanas e 65,0% de média geral entre as sete áreas avaliadas. A nota geral média foi de 48,76 pontos (DP = 12,56; mediana = 48,44; P25 = 40,18; P75 = 57,04), ligeiramente abaixo do corte de 50 pontos, com 51,8% dos presentes registrando proficiência TRI negativa (θ < 0). A análise regional revela disparidade de até 11,93 pontos entre os estados de melhor (Rio de Janeiro, 53,85) e pior (Roraima, 41,92) desempenho, configurando iniquidade educacional estrutural. Os questionários QPP revelam que 57,2% dos candidatos classificaram a prova como difícil ou muito difícil; 76,4% relataram lacunas de aprendizado; e 80,6% avaliaram que as práticas do curso de formação inicial não contribuíram adequadamente para seu desempenho. A análise TRI mostra que 20,8% dos itens são difíceis (b ≥ 1,0) e 14 itens apresentam baixo poder discriminatório (r < 0,20), padrão psicométrico consistente com formação especializada insuficiente. Os resultados são interpretados à luz das teorias de formação docente de [ 24 , 25], [4] e [ 21 , 22]. O artigo propõe três eixos articulados de política pública: fortalecimento do PROFMAT; ampliação da OPMbr; e consolidação do Compromisso Nacional Toda Matemática. Conclui-se que não existe soberania educacional, científica e tecnológica sem uma política nacional séria, contínua e bem financiada de formação matemática docente.

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Publicado

2026-06-18

Como Citar

Vinicius do Nascimento Silva, J. (2026). Formação Matemática Docente em Crise Nacional: evidências dos microdados da Prova Nacional Docente 2025, desigualdades estruturais e os eixos de superação que o Brasil precisa construir. Revista Tocantinense De Matemática , 1(1). https://doi.org/10.20873/retmat.uft.v1n1.2026.23171

Edição

Seção

Edição inaugural