Precarização do Trabalho e Precariedade Subjetiva do Docente de Universidades Públicas Nordestinas: possibilidades de intervenção com vistas à saúde mental
DOI:
https://doi.org/10.20873/2526-1487e025014Palavras-chave:
Trabalho, Saúde Mental, UniversidadeResumo
Este ensaio tem por objetivo suscitar reflexões sobre a relação entre a precarização da situação de trabalho na contemporaneidade e o processo de precariedade subjetiva em docentes de universidades públicas nordestinas brasileiras. Frente ao processo de precarização das situações de trabalho nessas universidades, os autores compreendem a precariedade subjetiva como um processo de empobrecimento crítico que deixa o docente-trabalhador submetido a processo subjetivo de sofrimento e/ou adoecimento, com desdobramentos graves em face dos mecanismos de controle comportamental do sistema meritocrático vigente nas instituições federais de ensino superior. Com base em estudos que apontam o comprometimento da saúde mental de docentes nas referidas instituições, eles apontam possibilidades de intervenção no âmbito dessas instituições, visando à saúde mental desses trabalhadores, em termos de prevenção e de ação clínica. A presente contribuição conclui com recomendação de se desenvolver uma cultura de retomada do trabalho docente bem feito e respeito ao trabalhador-docente, o que deverá ser ratificado por políticas públicas voltadas para esses sujeitos, como forma de beneficiar toda a comunidade acadêmica.
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