Precarização do Trabalho e Precariedade Subjetiva do Docente de Universidades Públicas Nordestinas: possibilidades de intervenção com vistas à saúde mental

Autores

  • Shirley Macêdo Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF)
  • Jorge Falcão Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

DOI:

https://doi.org/10.20873/2526-1487e025014

Palavras-chave:

Trabalho, Saúde Mental, Universidade

Resumo

Este ensaio tem por objetivo suscitar reflexões sobre a relação entre a precarização da situação de trabalho na contemporaneidade e o processo de precariedade subjetiva em docentes de universidades públicas nordestinas brasileiras. Frente ao processo de precarização das situações de trabalho nessas universidades, os autores compreendem a precariedade subjetiva como um processo de empobrecimento crítico que deixa o docente-trabalhador submetido a processo subjetivo de sofrimento e/ou adoecimento, com desdobramentos graves em face dos mecanismos de controle comportamental do sistema meritocrático vigente nas instituições federais de ensino superior. Com base em estudos que apontam o comprometimento da saúde mental de docentes nas referidas instituições, eles apontam possibilidades de intervenção no âmbito dessas instituições, visando à saúde mental desses trabalhadores, em termos de prevenção e de ação clínica. A presente contribuição conclui com recomendação de se desenvolver uma cultura de retomada do trabalho docente bem feito e respeito ao trabalhador-docente, o que deverá ser ratificado por políticas públicas voltadas para esses sujeitos, como forma de beneficiar toda a comunidade acadêmica.

 

Biografia do Autor

Shirley Macêdo, Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF)

Doutora em Psicologia Clínica,  Professora Associada do Colegiado de Psicologia, Colaboradora da Residência Multiprofissional em Saúde Mental e Coordenadora do Núcleo de Cuidado ao Estudante Universitário do Semiárido (NuCEU) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). Pós-Doutoranda em Psicologia do Trabalho pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Jorge Falcão, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Docente do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPSI) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Pesquisador voltado para a saúde, desenvolvimento e adoecimento vinculados ao trabalho.

Referências

Araújo, P. C., & Cusati, I. C. (2019). A Universidaade Federal do Vale do São Francisco: um paradigma da expansão? Revista de Educação da Universidade Federal Do Vale Do São Francisco, 9(20), 120–157. https://www.periodicos.univasf.edu.br/index.php/revasf/article/view/919

Azeredo, L. A. S. de. (2022). Projeto “Vivenciando o cuidado de si e do outro na/para a docência”: algumas vivências e impressões. Horizontes, 40(1), e022021. https://doi.org/10.24933/horizontes.v40i1.1297

Béhar, A. H. (2019). Meritocracia enquanto ferramenta da ideologia gerencialista na captura da subjetividade e individualização das relações de trabalho: uma reflexão crítica. Organizações & Sociedade, 26(89), 249-268. https://doi.org/10.1590/1984-9260893

Bernardo, M. H. (2014). Produtividade e precariedade subjetiva na universidade pública: o desgaste mental dos docentes. Psicologia & Sociedade, 26(spe), 129-139. https://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822014000500014

Bosi, A. P. (2007). A precarização do trabalho docente nas instituições de ensino superior do Brasil nesses últimos 25 anos. Educação e Sociedade, 28(101), 1503-1523. https://doi.org/10.1590/S0101-73302007000400012

Carvalho, J. J., Kidoiale, M., Carvalho, E. N. de, & Costa, S. L. da. (2020). Sofrimento psíquico na universidade, psicossociologia e encontro de saberes. Dossiê saúde mental pela perspectiva das ciências sociais. Revista Sociedade e Estado, 35 (01), 135-162. https://doi.org/10.1590/s0102-6992-202035010007

Clot, Y. (2006). A função psicológica do trabalho. Petrópolis, Vozes.

Clot, Y. (2010). Trabalho e poder de agir. Fabrefactum.

Clot, Y., Lhuillier, D. (2010) Travail et santé. Érès.

Coêlho, R. de F. N., Sousa, F. L. de, & Coêlho, I. N. (2016). A saúde de professores universitários no sertão nordestino – Brasil: investigando suas características clínico-comportamentais. Mneme - Revista De Humanidades, 17(38), 83–102. https://periodicos.ufrn.br/mneme/article/view/9552

De Farias Júnior, R. S. (2020). “Publish or perish”: o produtivismo acadêmico e o adoecimento docente. Revista Cocar, 14(28), 644–663. https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/3142

Dejours, C. (2004). Subjetividade, trabalho e ação. Revista Produção, 14(3), 027-034. https://doi.org/10.1590/S0103-65132004000300004

Dejours, C. & Gernet, I. (2012) Psychopathologie du travail. Issy-les-Moulineaux, Elsevier Masson.

Do Nascimento, C. L., & Macêdo, S. (2019). A crise do sentido e a saúde mental no mundo contemporâneo do trabalho: proposições fenomenológicas. Revista PsicoFAE: Pluralidades em Saúde Mental, 8(1), 95-112. https://revistapsicofae.fae.edu/psico/article/view/237

Fernández-Zoïla, A. (2016). Pour une théorie de l’homme en psychopathologie du travail. Dans Traváiller, 1(35), 67-89. https://www.cairn.info/revue-travailler-2016-1-page-67.htm

Goldstein, T. S., Meza Mosqueira, S., & Demouliere, I. G. (2022). Vida universitária e saúde mental: a produção coletiva de cuidados na contramão da medicalização do sofrimento. Revista Entreideias: Educação, Cultura E Sociedade, 11(3), 78-99. https://doi.org/10.9771/re.v11i3.42147

Guerreiro, P. L. P. (2015). A falsa democracia da expansão educacional pela lei 11.892/2008: resultado em forma de precarização do trabalho docente em um IF do Nordeste brasimeiro. Organizações e Democracia, 16(1), 53-68.

https://doi.org/10.36311/1519-0110.2015.v16n1.5161

Han, B-C. (2017). Sociedade do cansaço. Vozes.

Jardim, R., Oliveira Junior, M. G. de, Schott, M., Reis, A. S., & Matos, L. E. O. (2022). Health conditions of universitary professors linked to a federal institution of higher education in the interior of northeastern of Brazil. Research, Society and Development, 11(10), e443111033142. https://doi.org/10.33448/rsd-v11i10.33142

Leite, J. L. (2017). Publicar ou perecer: a esfinge do produtivismo acadêmico. Revista Katálysis, 20(02), 207-215. https://doi.org/10.1590/1982-02592017v20n2p207

Linhart, D. (2009). Modernisation et précarisation de la vie au travail. Papeles del CEIC, 1(43), 1-19. http://www.identidadcolectiva.es/pdf/43.pdf

Lhuillier, D. (2006). Cliniques du travail. Érès.

Lhuillier, D. (2016). Psychopathologie du travail contemporain: nouveaux défis cliniques. Trabalho (En)Cena, 1(1), 84–97. https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/encena/article/view/2433

Macêdo, S. (2015). Clínica humanista-fenomenológica do trabalho: a construção de uma ação diferenciada diante do sofrimento no e por causa do trabalho. Juruá.

Macêdo, S. (2020). Um olhar para a subjetividade e a saúde mental do trabalhador durante e após a pandemia da COVID-19. Trabalho (En)Cena, e021005, 1-17. https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/encena/article/view/9895/18280

Macêdo, S. (2024). Clínica humanista-fenomenológica do trabalho: teoria, método e ação. Juruá.

Macêdo, S., Amorim, J. L., & Oliveira, J. C. S. P. (2023). O ensino remoto emergencial para docentes de universidades públicas nordestinas. Revista da Abordagem Gestáltica: Phenomenological Studies, XXIX(2), 1-27. https://itgt.com.br/rag/index.php/go/article/view/139/98

Macêdo, S., Amorim, J. L., & Souza, M. P. G. de. (2021). Distanciamento social na pandemia da covid-19: estudo com docentes universitárias. Linhas Críticas, 27, e39455. https://doi.org/10.26512/lc27202139455

Merlo, A. R. C. (2013). Sofrimento silenciado, patologia da solidão e suicídio no trabalho: a questão da atenção à saúde. In A. R. C. Merlo, A. M. Mendes, & R. D. de Morias (Orgs). O sujeito no trabalho: entre a saúde e a patologia, pp. 93-199. Juruá.

Perez, K. V., Brun, L. G., & Rodrigues, C. M. L. (2019). Saúde mental no contexto universitário: desafios e práticas. Trabalho (En)Cena, 4(2), 357–365. https://doi.org/10.20873/2526-1487V4N2P357

Ribeiro, C. V. dos S., Leda, D. B., & Silva, E. P. (2015). A expansão da educação superior pública e suas implicações no trabalho docente. Revista Educação em Questão, 51(37), 147-174. https://doi.org/10.5965/1981180251372016147

Ribeiro, C. V. dos S., & Leda, D. B. (2016). O trabalho docente no enfrentamento do gerenciamento nas universidades federais brasileiras: repercussões na subjetividade. Educação em Revista, 32(4), 97-117. https://doi.org/10.1590/0102-4698161707

Rodrigues, A. M. S., Souza, K. R., Teixeira, L. R., & Larentis, A. R. (2020). A temporalidade social do trabalho docente em universidade pública e a saúde. Ciênc. Saúde Coletiva, 25(5), 1829-1838. https://doi.org/10.1590/1413-81232020255.33222019

Romanini, M. (2021). As máscaras e a precariedade subjetiva: efeitos da pandemia na vida de estudantes universitários. Revista de Psicologia da UNESP, 20(1), 49-77. https://doi.org/10.5935/1984-9044.20210003

Santos, S. D. M. (2012). A precarização do trabalho docente no Ensino Superior: dos impasses às possibilidades de mudanças. Educar em Revista, Curitiba, 46, 229-244. Editora UFPR. https://doi.org/10.1590/S0104-40602012000400016

Souza, K. R., Mendonça, A. L. O., Rodrigues, A. M. S., Felix, E. G., Teixeira, L. R., Santos, M. B. M., & Moura, M. (2017). A nova organização do trabalho na universidade pública: consequências coletivas da precarização na saúde dos docentes. Ciência & Saúde Coletiva, 22(11), 3667-3676. https://doi.org/10.1590/1413-812320172211.01192016

Slaughter, S., & Leslie, L. L. (1997). Academic capitalism. Politics, policies and the entrepreneurial university. Baltimore: Johns Hopkins University Press. https://www.researchgate.net/publication/44824369_Academic_Capitalism_Politics_Policies_and_the_Entrepreneurial_University

Teixeira, G. M., Xavier, G. M. V., & Nascimento, A. R. S. do (2023). Prevalência da Síndrome de Burnout em professores universitários da área de saúde numa capital do nordeste brasileiro. Research, Society and Development, 12(8), e19712843060. https://doi.org/10.33448/rsd-v12i8.43060

Teixeira, T. S. C., Marqueze, E. C., & Moreno, C. R. C. (2020). Produtivismo acadêmico: quando a demanda supera o tempo de trabalho. Revista de Saúde Pública, 54(117): 1-11. https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2020054002288

Vieira, J. de A. V., Castaman, A. S., & Juges Jr., M. L. (2021). Produtivismo acadêmico: representação da universidade como espaço de reprodução social. Avaliação (Campinas) 26(01). https://doi.org/10.1590/S1414-40772021000100014

Downloads

Publicado

2025-12-09

Como Citar

Macêdo, S., & Falcão, J. T. da R. (2025). Precarização do Trabalho e Precariedade Subjetiva do Docente de Universidades Públicas Nordestinas: possibilidades de intervenção com vistas à saúde mental. Trabalho (En)Cena, 10(contínuo), e025014. https://doi.org/10.20873/2526-1487e025014

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.