Tempo e Trabalho: “Como colocar o coração no ritmo da terra”
DOI:
https://doi.org/10.20873/2526-1487e025009Palavras-chave:
Mundo do trabalho, Temporalidade, Sociedade do desempenho, Temporalidade da contemplaçãoResumo
O ensaio pretende trazer uma reflexão sobre a relação estabelecida com o tempo no mundo do trabalho contemporâneo. O texto analisa criticamente a temporalidade vivida no capitalismo e, num segundo momento, discute sobre um novo modo de vida e de experiência do tempo, na contramão da sociedade do desempenho, com base no pensamento de Byung-Chu-Han e no olhar decolonial, da perspectiva do Bem Viver, especialmente dos debates trazidos por Ailton Krenak. Problematizamos o modo de vida capitalista pautado numa existência econômica que vai estabelecendo uma forma de relação com o tempo que é acelerada, presa ao futuro, numa forma de atenção presa à utilidade e à produtividade, que nos leva a uma ação passiva, de autômatos, e um tempo-do-eu, autocentrado, individualista, que se distancia da vida comunitária. Por outro lado, sobre esta proposição de um novo modo de vida anticapitalista, grifamos que a vida é um fim em si mesmo, que não precisa de utilidade, que a partir do registro da improdutividade fundamental, se busca uma outra temporalidade, de viver o instante, a temporalidade do estado da contemplação, da atenção profunda, do tempo do outro, dos rituais e do tempo que permite o processo de produção de sentido da experiência.
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