A ENCENAÇÃO DO AMOR E DOS PAPEIS DE GÊNERO EM AVE DE PARAÍSO, DE NÉLIDA PIÑON
DOI :
https://doi.org/10.20873/asel.v34i2.23179Mots-clés :
Discurso; Narrativa; Modo de organização; Gênero; Amor romântico.Résumé
Este artigo tem o objetivo de analisar a maneira como são construídos os discursos sobre gênero e amor por meio do modo de organização narrativo no conto Ave de Paraíso, de Nélida Piñon. Argumenta-se que o texto narrativo opera de modo particular na organização dos elementos estruturais que conferem sentido à narrativa. No conto em questão, a lógica e a encenação discursiva atuam de modo intrínseco, contribuindo para a criação de um universo ficcional que representa a sociedade de forma verossímil, sobretudo em relação às questões de gênero e à idealização do amor romântico. Esse efeito é alcançado por meio dos aspectos formais que compõem a trama, além de elementos simbólicos, como as práticas alimentares. Tais aspectos convergem para a produção de um efeito de realidade discursiva, permitindo compreender como os discursos são simultaneamente encenados e problematizados pela instância narrativa. O estudo busca: (I) relacionar o modo de organização narrativo às estratégias discursivas que problematizam os papeis sociais de homens e mulheres; (II) explorar a figura do(a) narrador(a) como instância que organiza e orienta a interpretação dos discursos simbólicos; e (III) examinar a função da comida, em especial a torta de chocolate, na configuração das relações de gênero e de amor construídos pela narrativa. A fundamentação teórica apoia-se em Charaudeau (2008), Biroli (2014), Saffioti (1987), Beauvoir (1970) e Lagarde (2001). Os resultados apontam que o conto encena discursos de gênero que, ao mesmo tempo em que reafirmam papeis tradicionais atribuídos às mulheres, também expõem contradições que permitem questionar a submissão feminina e a naturalização do amor como destino.
Références
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