ENTRE A ORDEM INSTITUCIONAL E A RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA
EFEITOS DE SENTIDO SOBRE O MOVIMENTO ESTUDANTIL NO METRÓPOLES E NO ANDES-SN
DOI:
https://doi.org/10.20873/asel.v34i2.23685Palabras clave:
movimento estudantil, eleições presidenciais, Análise do DiscursoResumen
Este artigo analisa os processos de produção de sentidos sobre o movimento estudantil brasileiro materializado em duas notícias as quais tratam da mobilização universitária de outubro de 2026, no intervalo entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais: o enunciado “Mackenzie proíbe atos políticos após alunos convocarem assembleia pró-Lula”, do portal Metrópoles, e a notícia “Estudantes vão às ruas de todo o país contra a extrema direita e pela reeleição de Lula”, publicada pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN). Com base na Análise do Discurso de linha francesa, em especial nas contribuições de Michel Pêcheux, Eni Orlandi e Jean-Jacques Courtine, a pesquisa, de natureza qualitativa, interpretativa e documental, examina duas sequências discursivas (SD1 e SD2) a partir das noções de formação discursiva, formação ideológica, intradiscurso, interdiscurso, pré-construído, dentre outras de mesmo potencial heurístico. Os resultados indicam que o Metrópoles organiza o acontecimento numa sequência de ordem institucional, risco e segurança, na qual a reitoria ocupa o lugar de autoridade e o ato estudantil aparece como evento político-partidário a ser regulado, ao passo que o ANDES-SN constrói uma sequência de mobilização, democracia e resistência, na qual a juventude é sujeito político legítimo e a ameaça se desloca para a extrema direita. Por fim, identifica-se que a divergência ideológica entre as duas mídias se materializa não só no conteúdo, mas na própria arquitetura sequencial dos microenunciados, no que cada um põe em primeiro plano, no que repete e no que silencia.
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