MEMÓRIA SOCIAL E ESQUECIMENTO

O MUNICÍPIO, A ESCOLA E OS DIREITOS HUMANOS

  • Ana Paula Poll Universidade Federal Fluminense
  • Luiz Ricardo Candido Landim Universidade Federal Fluminense
Palavras-chave: memória social; direitos humanos; educação.

Resumo

Este artigo tem por objetivo descrever e compreender a ausência de referências contemporâneas à história de violações de Direitos Humanos ocorridas no município de Barra Mansa, interior do estado do Rio de Janeiro, durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). Para isso, utilizamos a perspectiva analítica de Pollak (1989) acerca do processo de enquadramento da memória e descrevemos o histórico de violações de Direitos Humanos na cidade. A pesquisa foi realizada a partir da coleta e análise de dados qualitativos obtidos com a aplicação de questionário em três escolas do município, abrangendo estudantes concluintes do terceiro ano do ensino médio, alunos do último módulo do Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Aleatoriamente convidamos os respondentes do questionário aplicado para participarem de um grupo focal, ocasião em que estimulamos a discussão acerca dos Direitos Humanos e das violações ocorridas no antigo batalhão de Barra Mansa. Assim pudemos verificar que os egressos da rede pública de ensino de Barra Mansa/RJ desconhecem o passado de violações de Direitos Humanos ocorridos no município. Discutimos em consonância com os resultados obtidos o direito à memória e a necessidade de uma educação alicerçada nas diretrizes curriculares nacionais. Essas asseguram ao educando a compreensão acerca da importância do caráter plural da memória social e da relevância dos Direitos Humanos na formação do cidadão.

Biografia do Autor

Ana Paula Poll, Universidade Federal Fluminense

Doutora em Ciências Humanas (Antropologia Cultural), em 2008, pelo PPGSA do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Instituição onde também concluiu o mestrado em Sociologia e Antropologia (2001) e o bacharelado em Ciências Sociais (1999). Atualmente é Professora Associada da Universidade Federal Fluminense/ Instituto de Ciências Humanas e Sociais de Volta Redonda (ICHS). É docente do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Desenvolvimento/ Mestrado Profissional em Administração Pública e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental. Tem experiência na área de pesquisa em Antropologia e Sociologia, com ênfase em Antropologia das Populações Afro-Brasileiras, desenvolveu pesquisas relacionadas aos seguintes temas: Religião, Congo, Identidade étnica e Relações Raciais. E atualmente, no âmbito do ICHS, tem desenvolvido pesquisas relacionadas aos seguintes temas: desenvolvimento e memória social.

Referências

ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Editora Perspectiva, 1988.

BEDÊ, E. D. A. T. Relatório Final. Comissão Municipal da Verdade Dom Waldyr Calheiros. Volta Redonda, p. 589. 2015.

BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean-Claude. A Reprodução, elementos para uma teoria do sistema de ensino. 3º Edição. Rio de Janeiro: Editora Francisco Alves, 1992.

CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil. O longo Caminho. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

CENTRO DE MEMÓRIA DO SUL FLUMINENSE. Síntese do Processo Criminal a Que Responde o Ten Cel Gladstone Pernasseti Teixeira. Disponível em: < http://cemesf.vr.uff.br/textos/sintese-processo-criminal-que-responde-o-ten-cel-gladstone-pernasseti-teixeira/ >. Acesso em: 12/01/2020

COUTO, A. L. F. Do Império à República: a vida política no município de Barra Mansa. Tese (Doutorado em História, Política e Bens Culturais) - FGV - Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, 2016.

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris. 10 dez. 1948. Disponível em: . Acesso em: 15 nov. 2019.

HALBWACHS, M. A Memória Coletiva. Paris: Editora Albin Michel, 1990.

MARTINS, R. B. A Transferência Da Corte Portuguesa Para O Brasil: Impactos Sobre Minas Gerais in , Anais do XIII Seminário sobre a Economia Mineira [Proceedings of the 13th Seminar on the Economy of Minas Gerais], Cedeplar, Universidade Federal de Minas Gerais, 2008.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Atualiza as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Resolução nº. 3, de 21 de novembro de 2018. Diário Oficial da União, Brasília, 22 nov. 2018, Seção 1, p. 21

POLLAK, M. Memória, Esquecimento, Silêncio. In: Estudos Históricos. Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, p. 3-15, 1989.

SECCHI, L. Políticas Públicas: conceitos, esquemas de análise, casos práticos. 2° Ed. São Paulo: Cengage Learning, 2014.

SERBIN, K. P. Diálogos na Sombra: Bispos e Militares, Tortura e Justiça Social na Ditadura. Tradução de Carlos Eduardo Lins Silva. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

TELES, E. Políticas do silêncio: a memória no Brasil pós-ditadura. Disponível em: http://www.academia.edu/640382/Pol%C3%ADticas_do_sil%C3%AAncio_a_mem%C3%B3 ria_no_Brasil_p%C3%B3s-ditadura, 2009.
Publicado
2021-06-12
Como Citar
Poll, A. P., & Landim, L. R. C. (2021). MEMÓRIA SOCIAL E ESQUECIMENTO. EntreLetras, 12(1), 49 - 71. https://doi.org/10.20873/uft2179-3948.2021v12n1p49-71