CHAMADA DE TRABALHOS PARA A REVISTA ENTRELETRAS - V. 12, N. 3, 2021

2021-07-05

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DOSSIÊ: A arte literária na América Latina como via de descolonização

ORGANIZADORES: Profa. Dra. María Rosa Lojo (USAL- Buenos Aires/Argentina), Profa. Dra. Marcela Crespo Buiturón (USAL- Buenos Aires/Argentina) e Prof. Dr. Gilmei Francisco Fleck (UNIOESTE/Cascavel-PR/Brasil).

EMENTA: Esta proposta de dossiê temático, pensada desde o espaço de pesquisa do Grupo “Ressignificações do passado na América: processos de leitura, escrita e tradução de gêneros híbridos de história e ficção – vias para a descolonização” da Universidade Estadual do Oeste do Paraná-UNIOESTE/Cascavel-PR/Brasil procura reunir estudos que evidenciam as distintas formas que a arte literária tem encontrado no espaço pós-colonial da América Latina para evidenciar a ainda manutenção de certas ações, empreendimentos e pensamentos colonialistas e as vias necessárias à descolonização. Isso, necessariamente, conduz-nos às formas como a arte literária tem ressignificado (criticamente) ou renarrativizado (acriticamente) o passado colonial de subjugação e exploração pelo qual as nações latino-americanas passaram ao longo de séculos. A confrontação de discursos sobre o passado – sejam eles oriundos da história tradicional, da literatura acrítica ou crítica, da antropologia, da sociologia, etc. –, realizada por meio dos procedimentos da Literatura Comparada (GUILLÉN, 1985; COUTINHO, 2003; NITIRNI, 2000; FLECK; CERDEIRA; OLIVEIRA, 2020), que procurem evidenciar o fato de que “a superstição que afirma ser possível a verdade absoluta deu origem a opressivos sistemas políticos e religiosos, dos quais nunca conseguimos nos libertar: e jamais podemos fazê-lo enquanto aceitarmos a condição prévia que habilitou todos eles, isto é, a possibilidade de alguma verdade que seja absoluta” (CLARK; HOLQUIST, 1998, p. 363)[1]. Entre os gêneros híbridos de história que apresentam essa confrontação dos diferentes discursos sobre o passado, destacamos as diversas modalidades do romance histórico produzidos na atualidade (AÍNSA 1991; MENTON, 1993; ESTEVES, 2010; WEINHARDT, 2011; FLECK, 2017) o drama histórico (OLIVEIRA, 2020; TURKIEWICZ; OLIVEIRA, 2021), o poema histórico (LOPEZ, PÉREZ ANZOLA, 2020; 2021), os relatos de memória e de testemunho (ACHÚGAR, 2002; SILVA, 2016; FIGUEIREDO, 2018; FIGUEIREDO; SANTOS, 2020) e, ainda, outras possibilidades que a arte literária explora para evidenciar a confluência de discursos sobre o passado em tessituras escriturais polissêmicas.

Data limite para submissão de trabalhos: 15 de outubro de 2021

[1] CLARK, K. & HOLQUIST, M. Mikhail Bakhtin. Tradução de J. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 1998.