A ENTRELETRAS convida pesquisadores a submeterem artigos, resenhas e ensaios para o Dossiê Didática Literária no Século XXI. Os trabalhos serão publicados na edição v. 11, n. 3, 2020. 

Esse volume conta com a organização dos professores Dra. Neide Luzia Rezende (USP) e Dr. Francisco Neto Pereira Pinto (UFT/UNITPAC). 

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Prazo de submissão de trabalhos: 1º de janeiro a 31 de julho de 2020. 

Publicação: Dezembro de 2020. 

2019-06-07

CHAMADA DE TRABALHOS: ENTRELETRAS, v. 11, n. 3, 2020:

DOSSIÊ: DIDÁTICA LITERÁRIA NO SÉCULO XXI

 

Dra. Neide Luzia Rezende (USP)

Dr. Francisco Neto Pereira Pinto (UFT/UNITPAC)

 

Há uma queixa generalizada no sentido de denunciar que ensinar literatura, sobretudo na educação básica, desde há um bom tempo no Brasil tem se tornado uma tarefa tanto hercúlea quanto inglória. Na verdade, o descaso pela literatura, quando inserida no ensino, não é um fenômeno que se restringe ao Brasil, pois, como informa a crítica literária brasileira Leila Perrone-Moisés (2008), professores de outros países, tanto americanos quanto europeus, dão pistas de que a falência do ensino de literatura é um dado que cada vez mais se confirma por todo o mundo ocidental. No entanto, pesquisas também dão conta de que a vendagem de livros que circulam sob o rótulo de literatura é bastante generosa e de que os índices de leitura fora da escola inspiram otimismo (Cf.: SALES, 2012; PRÓ-LIVRO, 2016; FAILLA, 2016). Como ainda diz Perrone-Moisés (2008, p. 15):

 

Curiosamente, enquanto a literatura perdia seu prestígio no ensino, como instituição social, ela se adaptou aos novos tempos. A edição e a circulação de obras literárias ganhou um grande impulso com a informação; a globalização suscitou um aumento considerável de traduções em todos os países; o Prêmio Nobel de Literatura manteve todo o seu prestígio, enquanto novos prêmios aumentaram em número e em valor monetário; os escritores premiados saíram de seus gabinetes para se tornar ‘celebridades’ midiáticas, conhecidas mundialmente; as feiras e festas literárias se multiplicaram.

 

Esse quadro nos leva a vislumbrar um divórcio em torno da leitura de literatura que se dá entre a escola e o além muros: por um lado há a apatia à leitura literária na escola e, por outro, livros de literatura contemporânea rapidamente se tornam best sellers e não raramente alcançam vendagens que ultrapassam as casas das centenas de milhares quando não dos milhões. Como bem afirma a professora e crítica literária, nessa citação, a literatura enquanto instituição social soube se adaptar aos novos tempos e, por isso, vai bem, ao passo que, enquanto disciplina escolar, como diz a mesma autora, em outro lugar, está prestes a desaparecer, necessitando, pois de salvação (PERRONE-MOISÉS, 2006). É muito curioso que grandes públicos frequentem eventos literários, que escritores se tornem celebridades e que as tiragens editoriais literárias sejam generosas e, na escola, seja reservado à literatura o lugar do desprestígio. Como é consignado no início da citação, isso é mesmo, no mínimo, curioso. Importar notar que o desinteresse pela leitura literária não é fenômeno exclusivo da educação básica, mas, ainda de acordo com Perrone-Moisés (2006), também do nível superior, uma vez que se constata que considerável número de alunos dos cursos de Letras não gosta de ler. É esse o cenário que fornece o pano de fundo para a proposta deste dossiê.

Colocado assim, esse panorama nos leva a concordar com Eliana Yunes (2012), quando diz que a literatura não está em perigo, mas sim seu ensino. A literatura, enquanto arte, desde sua invenção até hoje sempre soube se adaptar aos tempos, às revoluções, às inovações, e certamente saberá se adequar aos novos formatos e suportes, inclusive aos digitais, e essa é uma crença que compartilham autores como Yunes (2012); Perrone-Moisés (2008); e Umberto Eco (2003). Na verdade, esse tempo já chegou e a literatura digital já é uma realidade, ou seja, já há produções literárias forjadas com ferramentas digitais para circularem no ambiente digital e, neste caso, não se trata de literatura digitalizada, mas de literatura digital. Nesse sentido, há uma tese muito interessante, de Marcelo Spalding (2012), que dá notícias de como a literatura já está se flexibilizando e ganhando formas no mundo digital.

O formato, o suporte, o modo de circular está ganhando mais plasticidade, mas isso não quer dizer que a literatura não tenha mais força de humanização e função na sociedade, como bem coloca Spalding (2012). Similarmente, Yunes (2012) defende que a literatura não corre perigo, e que somente deixará de existir com o fim do próprio homem. O porquê do descompasso entre o ensino literário e a produção, a circulação e a leitura literárias fora do ambiente escolar é algo que dá o que pensar, até por que a escola é um espaço diferente do espaço social, com delimitação pedagógica em seus muros, colocando, portanto, desafios para se transpor essa dimensão social da recepção da literatura para a dimensão de ensino e aprendizagem que a escola requer. O que, então, a literatura ensina e o que é ensinável da literatura? A concepção de literatura no universo escolar sofreu transformações após a revolução digital? Será que a literatura, com seus simulacros, não afeta mais o aluno e, por isso, deixou de ser lida? Ensinar literatura pressupõe ler literatura, segundo o que pensamos e parece importante hoje, então, diante disso: qual o tempo e o espaço para a leitura na escola?

Estamos convencidos de que não adianta dizer o quanto é bom ler literatura, o quanto é útil para a aprendizagem se isso não for viável na escola diante das práticas escolares atuais. Assim, criar essas possibilidades é um desafio, e apostamos que há soluções muito criativas sendo inventadas no Brasil e no mundo. Compartilhar essas soluções e encaminhamentos a todas as questões levantadas configuram a convite que fazemos por meio desta proposta. O prazo para submissão é até 31 de julho de 2020.

 

REFERÊNCIAS

 

ECO, U. Sobre algumas funções da literatura. Tradução de Sulla Literattura. Rio de Janeiro, RJ: Record, 2003.

 

FAILLA, Z. (Org.). Retratos da leitura no Brasil 4. Rio de Janeiro: Sextante, 2016. Disponível em: http://prolivro.org.br/home/images/2016/RetratosDaLeitura2016_LIVRO_EM_PDF_FINAL_COM_CAPA.pdf. Acessado em 02/02/2018.

 

PERRONE-MOISÉS, L. Ensino da literatura. In: NITRINI, S. et al. (Orgs.). Encontro Regional da ABRALIC (11. : 2007. São Paulo). Literaturas, artes, saberes. São Paulo: Aderaldo & Roths-child: ABRALIC, 2008.p. 13-22.

 

______Literatura para todos. In: Literatura e Sociedade. São Paulo: USP, n. 9, 2006, p. 16-29.

 

PRÓ-LIVRO. Retratos da leitura no Brasil. 4 ed. Março/2016. Disponível em: http://prolivro.org.br/home/images/2016/Pesquisa_Retratos_da_Leitura_no_Brasil_-_2015.pdf. Acessado em 02/02/2018.

 

SALES, G. M. A. A literatura está em crise? In: GUAVIRA LETRAS, n. 15, p. 103-116, jan.-jul. 2012. Disponível em:  http://websensors.net.br/seer/index.php/guavira/article/view/306/279.  Acessado em 05/02/2018.  

 

SPALDING, M. Alice do livro impresso ao e-book: adaptação de Alice no país das maravilhas e de através do espelho para ipad2012. Tese (Doutorado em Literatura Comparada). Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, 2012. Disponível em: http://www.literaturadigital.com.br/tese/teseLiteraturaDigital.pdf. Acessado em 17/05/2018.

 

YUNES, E. A literatura está mesmo em perigo? In: LIMA, A. et al. (Orgs.). O direito à literatura. Recife: Ed. universitária da UFPE, 2012. p. 77-91.

 

 

 

ORGANIZADORES:

Dra. Neide Luzia Rezende

Professora na Faculdade de Educação da USP na área de Linguagem, possui mestrado em Teoria Literária e doutorado em Educação.  Suas pesquisas concentram -se em literatura e ensino, vertente que reúne maior parte de suas publicações. Também pertence ao Profletras, no curso de Letras da USP.

 

Doutor Francisco Neto Pereira Pinto

Professor adjunto do Unitpac/Araguaína, onde ministra a disciplina institucional Direitos Humanos e Diversidade e disciplinas específicas do curso de Pedagogia, como Literatura infantil e Fundamentos e Metodologias do Ensino de Língua Portuguesa. Doutor em Letras pela UFT/Araguaína e integrante o GESTO – Grupo de Estudos do Sentido/Tocantins.

  • EDIÇÃO V. 11, N. 2, 2020: DOSSIÊ NOVAS PESQUISAS SOBRE O PENSAMENTO DE FRANTZ FANON

    2019-06-08

    CHAMADA DE TRABALHOS PARA EDIÇÃO ESPECIAL DA ENTRELETRAS, V. 11, N. 2, 2020:

    DOSSIÊ NOVAS PESQUISAS SOBRE O PENSAMENTO DE FRANTZ FANON

     

     

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    A Revista EntreLetras tem o prazer de anunciar a organização de uma edição especial sobre a relevância do pensamento do intelectual martinicano Frantz Fanon para o pensamento contemporâneo, com particular atenção à publicação de 2017-2018 de seus escritos, até então, inéditos. Os ensaios propostos devem problematizar as diferentes dimensões da atuação de Fanon enquanto escritor, médico, ativista e, sobretudo, revolucionário. É fundamental que os ensaios descrevam, através de uma pedagogia de investigação científica, fundamentada no conhecimento dos significados que os textos de Fanon apresentam na linha temporal entre o “ontem” e o “hoje”, definições mais analíticas relacionadas à sua obra. Espera-se ainda que os colaboradores para essa edição especial possam articular seus estudos críticos, direcionados ao projeto intelectual de Frantz Fanon, à breve e intensa vida do autor, à frente de seu tempo, por justiça e liberdade humana.

    Prazo para a submissão dos trabalhos: 31 de dezembro de 2019.

    Organizadores: 

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    Prof. Dr. Lewis R. Gordon (lewis.gordon@uconn.edu)

     (University of Connecticut-Storrs- UCONN)

    Endereço para acessar este CV: http://www.lewisrgordon.com/biography/lewis-gordon-cv-march-2017.pdf

    Profa. Dra. Rosemere Ferreira da Silva (rosefsilva@uneb.br)

     (Universidade do Estado da Bahia-UNEB- Campus V- Santo Antônio de Jesus)

    Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/5573907563872708

    CALL FOR PAPER FOR THE DOSSIER: ENTRELETRAS, V. 11, N. 2, 2020

    NEW RESEARCH ON FRANTZ FANON’S THOUGHT

    The Revista EntreLetras is pleased to announce the organization of a special issue on the relevance of the thinking of Martinican intellectual Frantz Fanon for contemporary thought, with particular attention to the 2017–2018 publication of his until then unpublished writings. The set of essays proposed must problematize the different dimensions of Fanon's work as a writer, physician, activist, and, above all, revolutionary.  It is crucial for the essays to describe, through a critical pedagogy of research based on the ideas that Fanon’s writings present in between "yesterday" and "today," illuminating concepts from or related to his work. It is hoped that the collaborators for this special edition will also articulate their critical thought in conversation with that of Fanon, who, in his brief and intense life, was ahead of his time in struggles for justice and freedom.

    Deadline for submissions: December 31, 2019.

     

     

     

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  • Artigos com DOI

    2018-08-30

    A partir de 2018, os artigos da EntreLetras passam a contar com DOI (Digital object identifier). Nesse sentido, atualizamos as versões dos artigos já publicados do v. 9, n. 1, neles incluindo o respectivo índice de identificação. 

    Temos trabalhado intensamente para a qualificação da revista observando os padrões de excelência estabelecidos para os periódicos científicos.

    Aproveitamos para agradecer a todos os leitores, autores e colaboradores que contribuem para a consolidação da revista. 

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