Problematizando o trabalho invisível das mulheres e a divisão sexual de trabalho no campo: uma parceria entre educação popular e feminismo

Resumo

Historicamente, as mulheres camponesas, assim como as mulheres urbanas, sofrem com a desigualdade de gênero. Desse modo, o sistema patriarcal que reforça a divisão sexual do trabalho resume a vida de muitas mulheres, tanto à dominação e exploração quanto à responsabilidade única pelos afazeres domésticos e pelo cuidado com os filhos. Esse artigo desenvolve algumas reflexões que se referem a uma experiência investigativa que a autora vem desenvolvendo desde o ano de 2014 com mulheres assentadas da Reforma Agrária e que tem como objetivo problematizar as relações de gênero e poder ligadas à divisão sexual do trabalho entre homens e mulheres de 2 assentamentos da Reforma Agrária localizados no interior do município de Pinheiro Machado/RS. Pretende-se explorar o espaço social e as experiências de vida, dando voz as mulheres sobre suas trajetórias de vida e trabalho, debatendo juntamente com o público masculino aspectos da reprodução social que divide atribuições, tarefas e lugares para homens e mulheres. Para finalidade dessa proposta, essa pesquisa participativa atenta para os métodos da Educação Popular e os estudos Feministas que possibilitem momentos dinâmicos e modificáveis dirigidos para uma transformação social.

Palavras-chave: Relações de Gênero, Mulheres, Trabalho, Educação Popular, Feminismo.

 

Problem the invisible work of women and the sexual division of work in the field: a partnership between popular education and feminism                                                            

ABSTRACT. Historically, peasant women, as well as urban women, suffer from gender inequality. Thus the patriarchal system that reinforces the sexual division of labor sums up the lives of many women, both domination and exploitation, and the sole responsibility for household chores and childcare. This article develops some reflections that refer to an investigative experience that the author has been developing since the year 2014 with women based on Agrarian Reform and whose objective is to problematize gender and power relations related to the sexual division of labor between men and women of 2 settlements of Agrarian Reform located in the interior of the municipality of Pinheiro Machado/RS. It is intended to explore social space and life experiences, giving women voice on their life and work trajectories, discussing with the male public aspects of social reproduction that divides assignments, tasks and places for men and women. For the purpose of this proposal, this participatory research attentive to the methods of Popular Education and Feminist studies that allow dynamic and modifiable moments directed towards a social transformation. 

Keywords: Gender, Women, Labor, Popular Education, Feminism.

 

Problematizando el trabajo invisible de las mujeres y la división sexual de trabajo en el campo: una asociación entre educación popular y feminismo

RESUMEN. Históricamente, las mujeres campesinas, así como las mujeres urbanas, sufren con la desigualdad de género. De este modo, el sistema patriarcal que refuerza la división sexual del trabajo resume la vida de muchas mujeres, tanto a la dominación y explotación como a la responsabilidad única por los quehaceres domésticos y por el cuidado con los hijos. Este artículo desarrolla algunas reflexiones que se refieren a una experiencia investigativa que la autora viene desarrollando desde el año 2014 con mujeres asentadas de la Reforma Agraria y que tiene como objetivo problematizar las relaciones de género y poder ligadas a la división sexual del trabajo entre hombres y mujeres de 2 asentamientos de la Reforma Agraria ubicados en el interior del municipio de Pinheiro Machado / RS. Se pretende explorar el espacio social y las experiencias de vida, dando voz a las mujeres sobre sus trayectorias de vida y trabajo, debatiendo junto con el público masculino aspectos de la reproducción social que divide atribuciones, tareas y lugares para hombres y mujeres. Para fines de esta propuesta, esa investigación participativa atenta para los métodos de la Educación Popular y los estudios Feministas que posibiliten momentos dinámicos y modificables dirigidos hacia una transformación social.

Palabras clave: Relaciones de Género, Mujeres, Trabajo, Educación Popular, Feminismo.

 

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Biografia do Autor

Carla Negretto, Universidade Federal de Pelotas - UFPEL

Atualmente é Mestranda em Educação, Linha Epistemologias Descoloniais, Educação Transgressora e Práticas de Transformação, Bolsista CAPES do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Pelotas. Graduada em Pedagogia pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas/UFPEL, participa no Grupo de Pesquisa DGENERUS: Núcleo de Estudos Feministas e de Gênero, do(a) Universidade Federal de Pelotas. Como bolsista de extensão ministrou oficinas artesanais no Projeto de Pesquisa e Extensão denominado "Trabalho Artesanal com Mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)" Coordenado pela Profª Drª Márcia Alves da Silva; Trabalhou como Bolsista PROBEC pesquisando e ministrando oficinas no projeto de Extensão: "Artesã e Professora; aproximando artesanato, arte docência em oficinas de criação" e Bolsista PROEXT no Projeto "Gênero, Educação e Arte: artesania, arte popular e formação em oficinas de criação coletiva".

Márcia Alves da Silva, Universidade Federal de Pelotas - UFPEL

Bacharel em Ciências Sociais (1996) e Mestre em Educação (2002) pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Doutora em Educação (2010) pela Universidade Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e Pós-Doutora em Educação (2018) pela PUC-RS. É Professora Adjunta e atua no Programa de Pós-Graduação em Educação, nível mestrado e doutorado acadêmico, da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas. Tem experiência na área de Educação, com diversas publicações e atuando no ensino, pesquisa e extensão, principalmente nos seguintes temas: Estudos de Gênero e Teoria Feminista, Narrativas e Histórias de Vida, Educação Popular, Educação Não-Formal e Formação de Professores. Atuou na equipe da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFPel entre 2014 e 2016, sendo fundadora e coordenadora do Observatório de Gênero e Diversidade da UFPel neste período. É líder do Grupo de Pesquisa DGenerus: Núcleo de Estudos Feministas e de Gênero, e atua no Grupo de Pesquisa Educação, Gênero e Trabalho Artesanal, ambos do CNPq.

Referências

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Publicado
2018-12-23
Como Citar
Negretto, C., & da Silva, M. (2018). Problematizando o trabalho invisível das mulheres e a divisão sexual de trabalho no campo: uma parceria entre educação popular e feminismo. Revista Brasileira De Educação Do Campo, 3(4), 1184-1201. https://doi.org/10.20873/uft.2525-4863.2018v3n4p1184