Educação do Campo e Autonomia: desenvolvimento comunitário e pedagogia de participação no Assentamento do Movimento Sem Terra [MST], Luís Inácio Lula da Silva (Lulão)

Resumo

Este artigo busca apresentar o papel da Educação do Campo no processo de formação de sujeitos autônomos, a partir de estudo realizado em um assentamento do Movimento Sem Terra no Sul da Bahia, que buscou compreender de que modo os indicadores de desenvolvimento refletem o grau de autonomia de seus moradores. A investigação foi realizada por meio da pesquisa quali-quantitativa, tendo como instrumentos de coleta de informação o questionário, entrevistas semiestruturadas e grupos focais. Define-se aqui a autonomia como a capacidade do indivíduo governar-se, conforme uma lei própria, de maneira livre e racional, conduzindo-o à dignidade humana; configurando-se como um poderoso recurso capaz de livrar os indivíduos não só da submissão a processos heterônomos que interferem sobre suas liberdades de escolha e ação, mas também dos quadros de vulnerabilidade social e econômica. Ter mais autonomia e agir com maior liberdade de pensamento e ação melhora o potencial das pessoas para cuidar de si mesmas e para influenciar o mundo - questões centrais para o processo de desenvolvimento. Para potencializar a autonomia, a educação exerce um papel fundamental, no universo e na população estudada, efetivando-se na práxis da vida cotidiana, no exercício da cidadania e na participação social, consolidando-se como prática de liberdade.

Palavras-chave: Educação do Campo, Autonomia, Desenvolvimento Comunitário Rural.

 

Rural Education and Autonomy: community development and pedagogy of participation in the Settlement of the Landless Movement [MST], Luís Inácio Lula da Silva (Lulão)

ABSTRACT. This article seeks to present the role of Rural Education in the process of training autonomous subjects, based on a study carried out in a settlement of the Landless Movement in the South of Bahia, which sought to understand how development indicators reflect the degree Autonomy of its residents. The research was carried out through the qualitative research, with the questionnaire, semi-structured interviews and focus groups as instruments of information collection. Here autonomy is defined as the capacity of the individual to govern himself, according to a law of his own, in a free and rational way, leading him to human dignity; Setting itself up as a powerful resource capable of freeing individuals not only from submission to heteronymous processes that interfere with their freedoms of choice and action, but also from the frameworks of social and economic vulnerability. Having more autonomy and acting with greater freedom of thought and action improves people's potential to take care of themselves and to influence the world - issues central to the development process. To empower autonomy, education plays a fundamental role in the universe and in the population studied, taking place in the praxis of everyday life, in the exercise of citizenship and in social participation, consolidating itself as a practice of freedom.

Keywords: Rural Education, Autonomy, Rural Community Development.

 

Educación del Campo y Autonomía: desarrollo comunitario y pedagogía de participación en el Asentamiento del Movimiento Sin Tierra [MST], Luís Inácio Lula da Silva (Lulão)

RESUMEN. Este artículo busca presentar el papel de la Educación del Campo en el proceso de formación de sujetos autónomos, a partir de un estudio realizado en un asentamiento del Movimiento Sin Tierra en el Sur de Bahía, que buscó comprender de qué modo los indicadores de desarrollo reflejan el grado De autonomía de sus habitantes. La investigación se realizó a través de la investigación cualitativa, teniendo como instrumentos de recolección de información el cuestionario, entrevistas semiestructuradas y grupos focales. Se define aquí la autonomía como la capacidad del individuo de gobernarse, conforme a una ley propia, de manera libre y racional, conduciéndolo a la dignidad humana; Configurándose como un poderoso recurso capaz de liberar a los individuos no sólo de la sumisión a procesos heterónomos que interfieren en sus libertades de elección y acción, sino también de los cuadros de vulnerabilidad social y económica. Tener más autonomía y actuar con mayor libertad de pensamiento y acción mejora el potencial de las personas para cuidar de sí mismas y para influir en el mundo - cuestiones centrales para el proceso de desarrollo. Para potenciar la autonomía, la educación desempeña un papel fundamental en el universo y en la población estudiada, que se efectúa en la praxis de la vida cotidiana, en el ejercicio de la ciudadanía y en la participación social, consolidándose como práctica de libertad.

Palabras clave: Educación del Campo, Autonomía, Desarrollo Comunitario Rural.

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Biografia do Autor

Altemar Felberg, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - ULHT / Lisboa, Portugal

Graduado em Administração com Habilitação em Marketing (FACDESCO: 2006); Graduando em Sociologia (Bacharelado/UNINTER) Pós-graduado em Educação, Desenvolvimento e Políticas Educativas (CINTEP/FNSL: 2011); Pós-graduado em Gestão Pública (UNEB: 2013); Pós-graduado em Estudos Transdisciplinares em Cultura (UNEB: 2016); Mestre em Ciências da Educação (ULHT: Lisboa, 2016) e Doutorando em Estado e Sociedade, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Atuou como Representante do Conselho Regional de Administração - CRA/BA em Porto Seguro e como Coordenador-Professor do Curso de Bacharelado em Administração da Faculdade Nossa Senhora de Lourdes (FNSL). Desde 2006 exerce o cargo de Diretor Executivo no Instituto Mãe Terra, organização sem fins lucrativos que desenvolve iniciativas sociais com comunidades e povos tradicionais no Sul da Bahia, na perspectiva da formação para autonomia e empoderamento comunitário. Há mais de 10 anos à frente da gestão de organizações não governamentais, elabora, coordena, monitora e avalia o impacto social de inúmeros projetos sociais e culturais voltados ao aperfeiçoamento, integração e efetividade das políticas públicas afirmativas, principalmente àquelas que visam beneficiar grupos historicamente subalternizados e vulnerabilizados (povos indígenas, pescadores e marisqueiras, assentados e acampados etc.), buscando promover a expansão de suas capacidades e a igualdade de oportunidades, no intuito de concretizar ações efetivas de inclusão social e, sobretudo, compor a justiça histórica cabível aos povos e comunidades tradicionais do nosso país.

Geovani de Jesus Silva, Universidade do Estado da Bahia – UNEB

Possui graduação em Pedagogia (Universidade Estadual de Santa Cruz (1997), Especialização em Educação Infantil (Faculdades Integradas de Jacarepaguá) e em Políticas Educativas e Desenvolvimento Humano (Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Lisboa (2006), Mestrado em Ciências da Educação pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Lisboa (2007) e Doutorado em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Atualmente é Professor Assistente no Departamento de Ciências da Educação da Universidade Estadual de Santa Cruz. Tem experiência na área de Educação, com ênfase na Educação Básica, especialmente na Educação de Jovens e Adultos - EJA e na coordenação do trabalho pedagógico,atuando principalmente nos seguintes temas: EJA; Estudos sobre Tempos Docentes; Tempo Livre; Tempos Cotidianos e Educação; Condição e Trabalho Docente.

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Publicado
2018-05-06
Como Citar
Felberg, A., & Silva, G. de J. (2018). Educação do Campo e Autonomia: desenvolvimento comunitário e pedagogia de participação no Assentamento do Movimento Sem Terra [MST], Luís Inácio Lula da Silva (Lulão). Revista Brasileira De Educação Do Campo, 3(2), 381-410. https://doi.org/10.20873/uft.2525-4863.2018v3n2p381
Seção
Artigos / Articles / Artículos