REVISTA ANTÍGONA https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/antigona <p><em>A ANTÍGONA nasce da necessidade de ampliar a abrangência e atuação do Curso de História da Universidade Federal do Tocantins (UFT), câmpus de Porto Nacional. A revista projeta, a partir deste ano de sua criação, montar um Corpo Editorial, realizar publicações semestrais, com dossiês organizados pelos professores desse campus ou por professores convidados, recebendo artigos de autores nacionais e estrangeiros. O objetivo inicial é organizar a documentação necessária e alcançar sua indexação e qualificação.</em></p> Universidade Federal do Tocantins - UFT pt-BR REVISTA ANTÍGONA 2763-9533 Editorial https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/antigona/article/view/13673 Vitor Hugo Abranche de Oliveira George Leonardo Seabra Coelho Odair Giraldin Copyright (c) 2021 REVISTA ANTÍGONA 2021-12-21 2021-12-21 1 2 1 2 ENQUANTO SUA MAGESTADE NÃO MANDAR O CONTRÁRIO”: DIRETÓRIO DOS ÍNDIOS, CARTAS RÉGIAS E A VIOLÊNCIA INDIGENISTA (1757-1809) https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/antigona/article/view/11630 <p>Este artigo tem por objetivo apresentar os princípios que orientaram o Diretório dos Índios e das Cartas Régias enquanto projetos indigenistas entre os anos de 1757 e 1808, bem como, a maneira como estes mecanismos cotejaram formas específicas de violência no tocante à questão indígena. Para o aporte teórico será utilizado Silva (2012), Cancela (2012), Foucault (1986), Fanon (2005), entre outros.</p> JESSICA CAROLINE DE OLIVEIRA Copyright (c) 2021 REVISTA ANTÍGONA 2021-12-21 2021-12-21 1 2 3 38 A RESISTÊNCIA DAS LÍNGUAS MINORITARIAS: https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/antigona/article/view/12339 <p>Os primeiros pesquisadores que tiveram contato com os indígenas Macuxis os caracterizaram como um povo numeroso, guerreiro e arredio ao ensino de sua língua e a resistência à cultura de seus colonizadores. Tento que se sujeitar a situações de extrema exploração de forma gratuita para poderem permanecer em seu território. Toda essa luta e resistência que o povo Macuxi passou nas terras que, atualmente, se encontra Roraima, estado do extremo norte do Brasil, contribuiu para que ele ainda seja considerado estatisticamente o maior povo indígena desse estado. Nesse sentido, este estudo, primeiramente, apresentará o quantitativo populacional dos Macuxis e as regiões em que eles se encontram tanto no Brasil quanto fora do país, o&nbsp; seu contexto multilíngue a partir de seu tronco linguístico e, a conquista da lei de cooficialização da Língua Macuxi na Região da Serra da Lua pertencente ao Município de Bonfim, tendo quando objetivo propor a ampliação e a aplicação dessa lei em diferentes espaços. A partir da epistemologia do sul global que incorpora o contexto multilíngue como um ato político ao propor uma ecologia dos saberes que inserem o ser na sociedade em sua plenitude.</p> Vanessa Sagica Copyright (c) 2021 REVISTA ANTÍGONA 2021-12-21 2021-12-21 1 2 39 57 REFERÊNCIAS À BIOLOGIA ENTRE OS PRIMEIROS PSICANALISTAS FRANCESES https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/antigona/article/view/11736 <p>A pergunta que norteia essa pesquisa refere-se a uma afirmação feita pela historiadora da psicanálise na França, a senhora Roudinesco, que numa entrevista não hesitou em dizer: “Em nossos dias, Marie Bonaparte teria sido uma especialista em matéria de transexualidade”. Então, em que medida podemos considerar a princesa Marie uma perita no tema da transexualidade? No intuito de rastrear os possíveis fundamentos epistemológicos na obra bonaparteana que possam servir de batuta para uma afirmação dessa envergadura, fez-se necessário identificar o biologismo em psicanálise, além de apresentar alguns dos seus principais mentores cujos estudos estavam relacionados às pesquisas biológicas da sua época, dentre eles o próprio S. Freud, considerado por muitos como o biólogo da alma. Por fim, encontramos nas pesquisas de Bonaparte sobre a sexualidade da mulher a tese da causa anatômica da frigidez e a cirurgia Halban-Narjani, mas será na elaboração do conceito de falo passivo que descobrimos o aspecto da psicanálise bonpaparteana que mais aproxima a obra autora do tema da transexualidade. No entanto, concluímos afirmando que não podemos considerar Bonaparte uma especialista em matéria de transexualidade, uma vez que, somos nós, leitores do século XXI, que atribuímos a relevância desse conceito para esse campo de estudo e não uma intenção genuína da autora.</p> Sarug Dagir Ribeiro Copyright (c) 2021 REVISTA ANTÍGONA 2021-12-21 2021-12-21 1 2 58 78 COVID-19, MULHERES RURAIS E ABANDONO https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/antigona/article/view/12582 <p>O presente trabalho tem como objetivo analisar os impactos da pandemia da COVID-19 sobre as mulheres rurais, destacando de que forma esse grupo foi afetado. Para tal, foi adotado o método de revisão bibliográfica, com enfoque em teses, dissertações, obras e artigos que versam sobre o tema proposto. O caminho percorrido para alcançar o objetivo indicado passa por uma breve exposição sobre o Coronavírus, para, na sequência, a partir da análise de dados estatísticos, ser possível evidenciar alguns impactos sociais do período pandêmico. Na terceira seção, o foco é analisar os desdobramentos sobre as mulheres rurais. Ao final, é possível concluir que a crise instalada tem raça, gênero e classe, demonstrando que não se trata de uma crise do Coronavírus, mas de uma crise do sistema neoliberal, e, justamente por isso, os sujeitos são afetados de forma distinta, oportunizando o enriquecimento de alguns, sobre a morte de outros.</p> JULYANA MACEDO REGO Helga Maria Martins de Paula Copyright (c) 2021 REVISTA ANTÍGONA 2021-12-21 2021-12-21 1 2 79 99 DO CATIVEIRO À LUTA: HISTÓRIA PÓS-CONTATO E PROTAGONISMO DO POVO ÃWA https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/antigona/article/view/12572 <p><strong>RESUMO:</strong><span style="font-weight: 400;"> Este artigo apresenta a história oral e bibliográfica a respeito do contato forçado do povo Ãwa, conhecido na literatura como Avá-Canoeiro e regionalmente como Cara-Preta, no ano de 1973. Tem como objetivo visibilizar a luta e o protagonismo das gerações que nasceram após o contato, mostrando os caminhos que traçam para alcançar o desejo de voltar para sua terra ancestral, após viver anos como cativos de guerra. A chegada das mulheres que carregavam o colar de dente de quati foi a porta para essa libertação e o início da retomada da terra usurpada por interesses privados no de 1973. Tendo como base a história oral passada pelo líder e pajé Tutawa Jamagaky Tuagaky Wapoxire Jãegana Ãwa às gerações que nasceram após o contato, assim também como base o relatório de identificação da T.I Taego Ãwa, realizado pela antropóloga Patrícia de Mendonça Rodrigues, que relata as atrocidades cometidas pelo do Estado Brasileiro ao povo Ãwa (Avá-Canoeiro) que é conhecido na literatura como o povo que mais resistiu ao colonizador e também o trabalho da historiadora Dulce Madalena Rios Pedroso “A Teia do Povo Invisível", que se desdobra desde da chegada dos invasores ao território dos Ãwa. Cabendo assim, a Justiça Brasileira garantir ao povo Ãwa o direito de regressar para sua terra ancestral conforme rege a constituição federal de 1988, pois a única reparação social é a devolução da T.I Taego Ãwa ao povo que viveu a mais de 40 anos de forma marginalizada por outro povo e abandonado pelo próprio Estado Brasileiro, tornando, assim, um povo esquecido no Estado do Tocantins.&nbsp;</span></p> Kamutaja Silva Ãwa Copyright (c) 2021 REVISTA ANTÍGONA 2021-12-21 2021-12-21 1 2 100 122 AGÊNCIA E SUJEIÇÃO: NOTAS SOBRE A RELAÇÃO ENTRE AUTORIDADES COLONIAIS E GUERREIROS BORORO, NA GUERRA-JUSTA CONTRA OS KAYAPÓ (1735-1832) https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/antigona/article/view/12569 <p><strong>Resumo</strong></p> <p>Desenvolvemos no presente artigo algumas ponderações baseadas em pesquisas históricas sobre as relações entre guerreiros do povo Boe (Bororo) e os agentes coloniais durante a Guerra Justa (<em>Bellum Iustum</em> ou <em>Jus ad Bellum)</em> contra o povo Kayapó, ocorrida em meados do século XVIII na capitania de Goiás. A associação entre ambos, uma espécie de “amizade” hierárquica, foi resultado da conquista pelas armas, comandada pelo sertanista Antônio Pires de Campos décadas antes, na região de Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. O objetivo do artigo é interpretar os fatos históricos à luz da decolonialidade, conceito cunhado pelo grupo Modernidade/Colonialidade, formado por intelectuais latinos que realizaram um movimento político/epistemológico essencial para a atualização crítica e utópica das ciências sociais na América Latina no século XXI.</p> Higor Coutinho Patrícia Emanuelle Nascimento Elias Nazareno Copyright (c) 2021 REVISTA ANTÍGONA 2021-12-21 2021-12-21 1 2 123 151 LITORAL NORTE DO RIO GRANDE DO SUL DO SÉCULO XIX E O MASSACRE DA COMUNIDADE XOKLENG - POR QUE ACONTECEU? https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/antigona/article/view/12318 <p>Este estudo foi realizado como parte do Trabalho de Conclusão do Curso de Licenciatura em História, finalizado no ano de 2020, pela Universidade do Vale dos Sinos – Unisinos. Teve como objetivo, analisar as obras de teóricos da economia, a fim de entender os processos de expropriação das terras indígenas que se sucederam em meados do século XIX no Litoral Norte do Rio Grande do sul. Usou como fonte a bibliografia pertinente ao tema como por exemplo obras de Karl Marx, Adam Smith, assim como de historiadores brasileiros como Lauro Pereira da Cunha e Luisa Tombini Witmann. Como resultado desta pesquisa foi possível entender como se deu a apropriação das terras gaúchas por colonizadores e imigrantes. Também as consequências nas comunidades indígenas. Por exemplo, ausência de políticas públicas que permitam a retomada das terras por esses grupos marginalizados pela História brasileira por tanto tempo.</p> Bruna dos Santos Copyright (c) 2021 REVISTA ANTÍGONA 2021-12-21 2021-12-21 1 2 152 176 QUILOMBOS NO RS https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/antigona/article/view/12266 <p>A história do povo negro no Brasil não é recente e, durante o processo histórico de sua constituição, ocorreram lutas, resistências e vivências que vieram a dar visibilidade e garantir direitos a esses sujeitos, que durante anos foram escravizados e estigmatizados pela sociedade da época, causando efeitos que vemos ainda nos dias de hoje. Assim, faz-se necessário discutir e analisar a questão referente ao direito ao acesso à terra para as comunidades quilombolas. Este artigo busca discutir as dicotomias entre o direito consuetudinário e o direito jurídico acerca da propriedade da terra das comunidades remanescentes de quilombo no Rio Grande do Sul. Nesse sentido, procura-se contextualizar e analisar os litígios acerca da propriedade da terra referente aos remanescentes quilombolas, avaliando os processos administrativos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e os processos Judiciais, além de entrecruzar com os dados fornecidos pela Fundação Cultural Palmares e pelo Incra. Dessa forma, contextualiza-se a formação das comunidades quilombolas com o território reconhecido no Rio Grande do Sul com base no processo de ocupação da terra pós-abolição. Ainda, compreende-se como o conceito de propriedade da terra é concebido e aplicado nos processos judiciais e administrativos do Incra e quais os conflitos em torno da terra, buscando ver quais são os sujeitos envolvidos e suas inter-relações.</p> Áxsel de Oliveira Copyright (c) 2021 REVISTA ANTÍGONA 2021-12-21 2021-12-21 1 2 177 210 O Processo O PROCESSO DE ESBULHO DA TERRA INDÍGENA XOKÓ DA ILHA DE SÃO PEDRO/CAIÇARA, MUNICÍPIO DE PORTO DA FOLHA, SERGIPE: https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/antigona/article/view/12254 <p><strong>Resumo:</strong></p> <p>O presente artigo, tem como objetivo discorrer sobre o processo de esbulho da terra indígena Xokó da Ilha de São Pedro/Caiçara, município de Porto da Folha, Sergipe: as consequências da Lei de Terras de 1850. Para isso, foi preciso buscar fontes relacionadas às políticas de aldeamentos no período do Brasil imperial. Analisei os trabalhos da antropóloga Beatriz Gois Dantas, Ivanilson Martins dos Santos, Avelar Araújo Santos Junior, Pedro Abelardo de Santana, entre outros. O intuito foi esclarecer as relações políticas em meio ao século XIX, voltada para os antigos aldeamentos. Os pensamentos que circulam na metade do século XIX, sobretudo, o contraditório discurso da inexistência indígena, dos quais estavam fadados ao desaparecimento devido seu processo de mestiçagem. Isso também aconteceu com o Xokó, o qual teve seu processo de homologação das terras indígena Ilha/Caiçara somente em 1991, no governo de Fernando Collor de Mello.</p> Yatan Lima Copyright (c) 2021 REVISTA ANTÍGONA 2021-12-21 2021-12-21 1 2 211 231 O O MITO DOS ÍNDIOS BRABOS https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/antigona/article/view/12245 <p>No final do século XVIII e começo do XIX, Campo Alegre era uma extensa região que geograficamente ocupava parte do Vale do Paraíba. Esse Vale perfazia toda a antiga capitania e o atual Estado do Rio de Janeiro, na chamada Macro Região do Vale do Paraíba Fluminense. No século XVII, essa região sertaneja, era habitada por índios não falantes da língua geral, e portanto, diferente das demais etnias do litoral que eram chamados como “índios brabos ou bravos”. Assim essas área interiorana era conhecida como de “Sertões dos Índios Brabos”. Uma região de fronteira habitada por várias etnias principalmente pelos Índios Puri. No século XVIII, com a chegada do colonizador, essa região do Vale passou a ser conhecido como Campo Alegre da Paraíba Nova. Esse artigo pretende analisar a fronteira simbólica dos sertões da antiga Campo Alegre, local que era habitada em sua maioria pelos Índios Puri, e a construção do Mito dos Índios Brabos dos Sertões de Campo Alegre da Paraíba Nova.&nbsp;&nbsp;</p> Enio Cardoso de Oliveira Copyright (c) 2021 REVISTA ANTÍGONA 2021-12-21 2021-12-21 1 2 232 276 MEMÓRIAS, NARRATIVAS E ANCESTRALIDADE DO QUILOMBO SAMBAQUIM https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/antigona/article/view/11344 <p>O Quilombo Sambaquim, localizado no município de Cupira, pequena cidade do agreste pernambucano, como muitas das comunidades quilombolas da região, sofre com descasos públicos, como por exemplo, a falta de recursos e a desvalorização cultural. Os diálogos aqui inseridos são muito mais valiosos do que mera descrição. São registros históricos de um povo, que por muito tempo foi silenciado pela sociedade da qual faz parte. Nossa função como historiador é levar adiante a pesquisa, tecendo a trajetória histórica dessa comunidade, através de suas memórias, tradições e oralidades. Analisar a comunidade quilombola é fazer uma viagem e se aventurar em suas narrativas, pois, é a através da tradição oral que são preservados os saberes dos seus ancestrais. Logo, o nosso objetivo é construir a história do Quilombo Sambaquim, através da valorização e da apropriação das narrativas contadas pelos membros da comunidade assim como seu legado histórico, fazendo uma analogia entre o seu passado escravista, a história sobre seus antepassados, e o tempo presente da comunidade, tendo em vista as contribuições estabelecidas na construção da identidade e ancestralidade de seus moradores. Entendemos que as tradições são de suma importância para a preservação dos saberes da comunidade, por isso, nesse ponto, ela foi essencial por ser uma base única e que vem direto da nossa maior fonte de pesquisa: as informações cedidas pelos quilombolas.</p> José Luiz Xavier Filho Copyright (c) 2021 REVISTA ANTÍGONA 2021-12-21 2021-12-21 1 2 277 307