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públicas, coube aos órgãos educacionais a oferta e gerenciamento de um outro modo de estudo,
dessa forma ocorreu uma migração total ou parcial ao sistema de ensino remoto de forma
emergencial, desencadeando um desafio para professores e estudantes em adaptar e reinventar
os processos pedagógicos em ambientes ainda pouco explorados.
Há uma diferença fundamental entre ERE e a modalidade de ensino a distância (EaD)
planejada. A modalidade EaD é estruturada com metodologias, materiais didáticos e infraes-
trutura pensados especificamente para o ensino remoto. O ERE, por sua vez, surgiu como uma
resposta emergencial e excepcional à crise sanitária vivenciada durante a pandemia COVID-19,
marcada pela necessidade abrupta da adaptação às práticas educacionais presenciais ao uso
de plataformas digitais, conforme apregoa [
16
]. Essa transposição repentina, sem preparação
prévia adequada, evidenciou limitações estruturais significativas, entre elas a desigualdade de
acesso a dispositivos tecnológicos e à internet, a sobrecarga dos professores, as dificuldades
para promover o engajamento e a participação dos estudantes nas atividades propostas e a
ausência da dimensão corporal e sensorial própria do ensino presencial. Por outro lado, o
ERE também possibilitou novas formas de ensinar e aprender. A necessidade de adaptação
ao contexto remoto impulsionou a criatividade docente e estimulou a busca por metodologias
ativas capazes de tornar as atividades mais significativas. Além disso, esse cenário favoreceu o
protagonismo do aprendente, uma vez que, fora da modalidade presencial, ele precisou assumir
uma postura mais autônoma diante de sua aprendizagem, já que a interação com o professor
não ocorria de forma plena e imediata como no ensino presencial.
Nesse contexto, propostas de ensino que relacionam os saberes escolares ao cotidiano dos
estudantes e incorporam a manipulação de objetos concretos mostraram-se especialmente
relevantes para manter a motivação, favorecer o engajamento e promover uma aprendizagem
significativa. Tal perspectiva dialoga com a teoria ausubeliana, conforme apresentada em
[
8
,
9
,
21
,
20
], ao defender que a aprendizagem ocorre de modo mais efetivo quando novos
conceitos se ancoram em conhecimentos prévios presentes na estrutura cognitiva do sujeito. A
construção da flauta de Pã apresenta-se como uma proposta didática coerente com esse modelo,
pois pode ser realizada individualmente, no ambiente doméstico, com materiais simples, de
baixo custo ou recicláveis. O processo de construção também pode ser registrado e socializado
por meio de fotos, vídeos e encontros em plataformas digitais. Por integrar dimensões manuais,
sonoras, visuais e matemáticas, a atividade mobiliza diferentes formas de aprendizagem e
múltiplas inteligências, conforme [
4
], além de favorecer o desenvolvimento integral do estudante,
em consonância com as orientações da BNCC [11].
2.4 A Flauta de Pã: Aspectos Histórico-Culturais
A flauta de Pã é um dos instrumentos musicais mais antigos da humanidade, com registros
arqueológicos que remontam a pelo menos 6.000 anos em diversas culturas independentes,
como China, Grécia, Roma, Egito e, de forma especialmente rica, nas civilizações andinas da
América do Sul, onde cerâmicas encontradas em túmulos de grandes civilizações anteriores ao
período Inca frequentemente retratam o instrumento, atestando sua importância nas culturas
pré-hispânicas [
6
,
12
]. Na mitologia grega, o instrumento é atribuído ao deus Pã, divindade
dos pastores e da natureza selvagem, que teria criado o instrumento a partir de juncos ao
tentar capturar a ninfa Sírinx, transformada em cana para escapar de seu assédio [
23
]. Esse
vínculo entre música, natureza e mitologia reflete a centralidade que os instrumentos de sopro
ocupavam na vida religiosa e cultural do mundo antigo [10,15].
Nos Andes, a zampoña e o siku constituem elementos centrais da musicalidade andina,
presentes em rituais religiosos, festas e cotidiano de povos originários. A construção e o
toque desses instrumentos são saberes transmitidos a gerações e constituem uma expressão de