ENSINANDO MICROBIOLOGIA A PARTIR DA PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20873/riecim.v3i1.14948

Palavras-chave:

Pedagogia Histórico-Crítica, Ensino de Biologia, Reforma Nacional do Ensino Médio, Itinerário Formativo

Resumo

O relato apresenta atividades de ensino de biologia desenvolvidas por licenciandos em Ciências Biológicas em um colégio estadual militarizado em Goiás. A atividade foi realizada durante a implementação do Novo Ensino Médio (NEM), especificamente no Itinerário Formativo "Além da visão: conhecendo o micromundo". Nesse contexto, o artigo objetiva discutir as bases teórico-metodológicas mobilizadas no planejamento e desenvolvimento de atividades executadas nas aulas do Itinerário Formativo (Micromundo). A Pedagogia Histórico-Crítica (PHC) e os Estatutos do Conhecimento Biológico fundamentaram nossas práticas de ensino. Os conteúdos de ensino da aula aqui relatada são: "vírus", "microrganismos" e "classificação biológica". As imposições político-curriculares oriundas do NEM foram consideradas em nossas análises e discussões. Apesar do número reduzido de aulas, o contato com a escola lançou o desafio de atuar, em um contexto educacional em que as imposições político curriculares se constituem enquanto impasses e limitações à autonomia docente, ainda mais se levarmos em consideração que seus princípios e fundamentos são praticamente antagônicos aos da PHC. Finalmente, por esse relato reflexivo entendemos que o estágio se configurou enquanto um espaço contra hegemônico, que se insere na luta por uma educação pública de qualidade ao formar docentes a partir da PHC.

Biografia do Autor

Gabriel da Rocha Barbosa, Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiânia, Goiás, Brasil.

Mestrando no Programa de Pós-graduação em Educação em Cências e Matemática pela Universidade Federal de Goías (PPGECM-UFG). Graduado em Licenciatura em Ciências Biológicas pela mesma istituição. É bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG). É membro do Grupo de Estudos e Pesquisa Colligat- repensando a formação de professores de ciências e biologia no Laboratório de História, Filosofia e Ensino de Biologia na Educação Escolar (LaHFiEBEE-UFG), no qual participa de pesquisas voltadas para história e filosofia da biologia e suas implicações para o ensino de biologia. É professor de biologia da ação de extenção "Cursinho Popular Comunidade FazArte" (UFG).

Müller Brenner Freitas de Morais, Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiânia, Goiás, Brasil.

Possui ensino-medio  pelo Colégio Estadual Edmundo Pinheiro de Abreu (2013). Tem experiência na área de Bioquímica. 

Simone Sendin Moreira Guimarães, Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiânia, Goiás, Brasil.

Doutora em Educação Escolar - Formação de Professores pela Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" - UNESP (Campus Araraquara) (2010), mestre em Educação - Ensino de Ciências pela Universidade Metodista de Piracicaba - UNIMEP (2003), especialista em Educação Ambiental e Recursos Hídricos pela Universidade de São Paulo - USP (São Carlos) (2001) e licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Metodista de Piracicaba - UNIMEP (1998). Atualmente é professora Associada II do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Goiás (UFG). É professora e vice coordenadora (2022/2024) do Programa de Pós-Graduação (Stricto Sensu) em Educação em Ciências e Matemática (PPGECM) da UFG. Coordena o Grupos de Pesquisa Colligat - (re)pensando a formação de professores de ciências na natureza (UFG) e participa como pesquisadora do grupo Grupo de Pesquisa em História da Biologia e Ensino (USP). Tem experiência na área de Educação, com ênfase na Formação de Professores de Ciências e Biologia, atuando principalmente nos seguintes temas: História e Filosofia da Ciência/Biologia; Ensino de Ciências e Biologia; Educação de Jovens e Adultos.

Referências

AMORIM, D. S. Fundamentos de Sistemática Filogenética. Ribeirão Preto: Holos Editora, 2002. 156 p.

BARBOSA, L. U.; VIÇOSA, C. S. C. L.; FOLMER, V.. A educação sexual nos documentos das políticas de educação e suas ressignificações. Revista Eletrônica Acervo Saúde, [S.L.], v. 11, n. 10, p. 1-10, 8 jul. 2019. Revista Eletrônica Acervo Saúde. http://dx.doi.org/10.25248/reas.e772.2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.

BRASIL. Ministério da Educação. Novo Ensino Médio. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/novo-ensino-medio. Acesso em: 08 abr. 2022.

BRASIL, Ministério da Educação. Novo Ensino Médio: perguntas e respostas. Portal MEC, 2022. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/publicacoes-para-professores/30000-uncategorised/40361-novo-ensino-medio-duvidas. Acesso em: 01 out. 2022.

CARVALHO, M. T.. A Base Nacional Comum Curricular e Sexualidade: crítica e resistência. Pesquisar, Florianópolis, v. 7, n. 13, p. 89-100, jun. 2020.

CAVALIER-SMITH, T.. Eukaryote kingdoms: seven or nine?. Biosystems, [S.L.], v. 14, n. 3-4, p. 461-481, Jan. 1981. Elsevier BV. https://doi.org/10.1016/0303-2647(81)90050-2

DOBZHANSKY, T.. Nothing in Biology Makes Sense except in the Light of Evolution. The American Biology Teacher, [S.L.], v. 35, n. 3, p. 125-129, 1 mar. 1973. University of California Press. http://dx.doi.org/10.2307/4444260.

DUARTE, N.. As pedagogias do aprender a aprender e algumas ilusões da assim chamada sociedade do conhecimento. Revista Brasileira de Educação, v. 18, n. 1, p. 35-40, set./out./nov./dez. 2001.

FAHNERT, B.. Edging into the future: education in microbiology and beyond. Fems Microbiology Letters, [S.L.], p. 1-7, 2 mar. 2016. Oxford University Press (OUP). http://dx.doi.org/10.1093/femsle/fnw048. Disponível em: https://doi.org/10.1093/femsle/fnw048. Acesso em: 13 abr. 2022.

FRAGA, F. B. F. F.. A Biologia Evolutiva e a Compreensão do Mundo Microbiano. In: ARÁUJO, Leonardo Augusto Luvison (org.). Evolução biológica: da pesquisa ao ensino. Porto Alegre, Rs: Editora Fi, 2017. Cap. 21. p. 481-512.

FREEMAN, S.; HERRON, J. C.. Um caso para o pensamento evolucionista: a compreensão do HIV. In: FREEMAN, S.; HERRON, J. C.. Análise evolutiva. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. Cap. 1. p. 3-36.

FREITAS, C. M. ; BARBOSA, G. R. ; REZENDE, J. M. N. ; MORAIS, M, B. F. ; GUIMARAES, S. S. M. . Um Mundo Não Tão “Micro” Assim: Proposta de material didático introdutório para o itinerário formativo “Conhecendo o Micromundo" do novo ensino médio do Estado de Goiás. In: III Congresso de Ensino de Ciências e Formação de Professores, 2022, Catalão-GO. Anais do Congresso Nacional de Ensino de Ciências e Formação de Professores, 2022. Disponível em: https://www.even3.com.br/anais/iiicecifopufcat2022/473492-um-mundo-nao-tao-micro-assim--proposta-de-material-didatico-introdutorio-para-o-itinerario-formativo-conhecend/. Acesso em: 30 de jun. de 2023.

FREITAS, L. C.. Os Reformadores Empresariais da Educação e a Disputa Pelo Controle do Processo Pedagógico na Escola. Educ. Soc., Campinas, v. 35, no. 129, p. 1085-1114, out.-dez., 2014.

GALVÃO, A. C.; LAVOURA, T. N.; MARTINS, L. M.. Fundamentos da Didática Histórico-Crítica. Campinas-Sp: Autores Associados, 2019.

GASPARIN, J. L.. Uma didática para a Pedagogia Histórico-Crítica. 5. ed. Campinas: Autores Associados, 2012.

GIL PÉREZ, D.; MONTORO, I. F.; ALÍS, J. C.; CACHAPUZ, A.; PRAIA, J.. Para uma Imagem Não Deformada do Trabalho Científico. Ciência e Educação, v.7, n.2, p. 125-153, 2001.

GOIÁS. Lei n. 14.044, de 21 de dezembro de 2001. Dispões sobre as unidades do Colégio da Polícia Militar do Estado de Goiás (CPMG).

GOIÁS. Secretaria de Estado da Educação. Documento Curricular para Goiás: Itinerários Formativos, 175 págs., 2022.

HINCHLIFF, C. E.; SMITH, S. A.; ALLMAN, J. F.; BURLEIGH, J. G.; CHAUDHARY, R.; COGHILL, L. M.; CRANDALL, K. A.; DENG, J.; DREW, B. T.; GAZIS, R.. Synthesis of phylogeny and taxonomy into a comprehensive tree of life. Proceedings of the National Academy of Sciences, [S.L.], v. 112, n. 41, p. 12764-12769, 2015. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1073/pnas.1423041112. Acesso em: 21 abr. 2022.

LOPES, A. C.. Itinerários formativos na BNCC do Ensino Médio: identificações docentes e projetos de vida juvenis. Retratos da Escola, [S.L.], v. 13, n. 25, p. 59, 5 ago. 2019. Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). http://dx.doi.org/10.22420/rde.v13i25.963.

MALANCHEN, J.. Cultura, Conhecimento e Currículo: contribuições da pedagogia histórico-crítica. Campinas, SP: Autores Associados, 2016.

MARSIGLIA, A. C. G.; MARTINS, L. M.; LAVOURA, T. N.. Rumo à outra didática histórico-crítica: superando imediatismos, logicismos formais e outros reducionismos do método dialético. Revista Histedbr On-Line, [S.L.], v. 19, p. 1-28, 19 mar. 2019. Universidade Estadual de Campinas. http://dx.doi.org/10.20396/rho.v19i0.8653380.

MARSIGLIA, A. C. G.; PINA, L. D.; MACHADO, V. O.; LIMA, M.. A Base Nacional Comum Curricular: um novo episódio de esvaziamento da escola no Brasil. Germinal: Marxismo e Educação em Debate, Salvador, v. 9, n. 1, p. 107-121, abr. 2017.

MAZUI, G.. Governo lança programa para incentivar criação de escolas cívico-militares em todo o país. G1. Brasília. 05 set. 2019. Disponível em: <https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/09/05/governo-lanca-programa-para-incentivar-criacao-de-escolas-civico-militares-no-pais.ghtml>. Acesso em: 07 abr. 2022.

MORESCO, T. R.; ROCHA, J. B. T.BARBOSA, Nilda Berenice de Vargas. Ensino De Microbiologia e a Experimentação no Ensino FundamentaL. Revista Contexto & Educação, [S.L.], v. 32, n. 103, p. 165, 1 dez. 2017. Editora Unijui. Disponível em: http://dx.doi.org/10.21527/2179-1309.2017.103.165-190. Acesso em: 17 abr. 2022.

NASCIMENTO JR., A. F. (2010). Construção de Estatutos de Ciência para a Biologia numa Perspectiva Histórico-Filosófica: Uma Abordagem Estruturante para seu Ensino. 2010. 437f. Tese (Doutorado em Educação Para Ciência), Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho, Bauru.

PASQUALINI, J. C.; LAVOURA, T. N.. Diálogos Entre a Pedagogia Histórico-Crítica e a Teoria da Atividade: contribuições para o trabalho educativo. In: HERMIDA, Jorge Fernando (org.). Pedagogia Histórico-Crítica e a defesa da educação pública. João Pessoa: Editora Ufpb, 2021.

PEREIRA, L. M.; CAMPOS, L. M. L.. Aproximações a uma concepção histórico-crítica de objetivo do ensino de Ciências Naturais. Debates em Educação, [S.L.], v. 12, n. 26, p. 323, 6 abr. 2020. Universidade Federal de Alagoas. http://dx.doi.org/10.28998/2175-6600.2020v12n26p323-341.

ROSA, S. V. L..; SILVA, S. P.. Finalidades Educativas Escolares e Reformas Curriculares: apontamentos sobre a questão do conhecimento escolar. Educativa. Goiânia, v. 24, p. 1-22, 2021.

SANTOS, N. S. O.; ROMANOS, M. T. V.; WIGG, M. D.. Virologia Humana. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. 1308 p.

SAVIANI, D.. Escola e Democracia. Edição Comemorativa. Campinas: Autores Associados, 2008.

SAVIANI, D.. Pedagogia Histórico-Crítica: primeiras aproximações. 11.ed. Campinas: Autores Associados, 2013.

SAVIANI, D.. Sobre a concepção de politecnia. Rio de Janeiro: EPSJV/Fiocruz, 1989.

SAVIANI, D.; GALVÃO, A. C.. Educação na pandemia: a falácia do “ensino” remoto. Universidade e Sociedade, Brasília: Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino, v. 1, n. 67, p. 36-49, jan. 2021. Disponível em: https://www.andes.org.br/img/midias/0e74d85d3ea4a065b283db72641d4ada_1609774477.pdf. Acesso em: 22 abr. 2022

SCHAEFER, R.; MINELLO, I. F.. Educação Empreendedora: premissas, objetivos e metodologias. Revista Pensamento Contemporâneo em Administração, [S.L.], v. 10, n. 3, p. 60, 11 out. 2016. Departamento de Empreendedorismo e Gestão da UFF. http://dx.doi.org/10.12712/rpca.v10i3.816.

SILVA, M. M.. Pedagogia Histórico-Crítica e Sexualidade na Educação Escolar: considerações a partir da análise do tema “orientação sexual" nos parâmetros curriculares nacionais. Germinal: Marxismo e Educação em Debate, Salvador, v. 7, n. 1, p. 78-88, jun. 2015.

SOUZA JUNIOR, P. R.. A Questão de Gênero, Sexualidade e Orientação Sexual na Atual Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Movimento LGBTQQIS. Revista de Gênero, Sexualidade e Direito, Salvador, v. 4, n. 1, p. 1-21, jan./jun. 2018.

TEIXEIRA, R. de F. B.; LEÃO, G. M. C.; DOMINGUES, H. P.; ROLIN, E. C.. Concepções de Itinerários Formativos a Partir da Resolução CNE/CEB Nº 06/2012 e da lei Nº 13.415/2017. In: Anais do XIII CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Curitiba. 2017. Disponível em: <https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2017/27280_14159.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2022.

VILLARREAL, L. P.. Are Viruses Alive? Scientific American, S/L, v. 1, n. 6, p. 100-105, 05 jun. 2004. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/26060805. Acesso em: 13 abr. 2022.

Downloads

Publicado

2023-09-13

Como Citar

BARBOSA, Gabriel da Rocha; MORAIS, Müller Brenner Freitas de; GUIMARÃES, Simone Sendin Moreira. ENSINANDO MICROBIOLOGIA A PARTIR DA PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. Revista Interdisciplinar em Ensino de Ciências e Matemática, [S. l.], v. 3, n. 1, p. e23004, 2023. DOI: 10.20873/riecim.v3i1.14948. Disponível em: https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/RIEcim/article/view/14948. Acesso em: 23 fev. 2024.